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19 de outubro de 2021
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Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – A diversidade nas empresas é um ato positivo que traz multiplicidade ao ambiente de trabalho. O tema diversidade tem sido cada vez mais debatido pela sociedade e vem tomando o merecido espaço nas empresas, sejam pequenas ou multinacionais. Mas por que de fato as organizações estão cada vez mais atentas a esta postura? Quais os benefícios para a empresa e para os funcionários e colaboradores?

Em Manaus, o Grupo Simões criou em 2019 um Comitê de Diversidade dentro da empresa dando espaço para a adesão da inclusão e da diversidade. Outro exemplo local é a REVISTA CENARIUM, que conta com uma editoria chamada Diversidade, onde temas considerados tabus são abordados e debatidos de um jeito leve e responsável, dando voz e vez aos que precisam e abordando de forma técnica assuntos relacionados à igualdade de gênero, cultura, religião e beleza no contexto amazônico.

Para a diretora-geral da REVISTA CENARIUM, Paula Litaiff, a editoria soma às abordagens sociopolíticas, socioeconômicas e comportamentais presentes nas matérias jornalísticas do veículo de comunicação, produzidas diariamente. “Sempre com respeito à diversidade e à pluralidade de pensamentos. Estamos somando esforços para que o jornalismo possa estar em sintonia com os princípios que defendemos”, pondera Paula.

Quanto mais diversidade nas lideranças, mais chances da empresa crescer no mercado
(Reprodução/ Internet)

Definição

Em uma definição mais simples, a diversidade é um conjugado de atributos que constituem uma pessoa fazendo dela única. Levando em consideração sua cultura, valores, vivências. Vale lembrar que ao falar de diversidade é preciso falar também de inclusão, apesar de confundirem dando o mesmo significado para as palavras, é importante dizer que não são a mesma coisa, porém, se completam.

Didaticamente é como se a diversidade fosse você em um time de futebol e a inclusão fosse você em campo jogando pelo time. De acordo com dados divulgados no portal Géledes, uma pesquisa realizada pela Consultoria Mais Diversidade e a Revista Você RH mostra que cerca de 70% das empresas brasileiras não possuem um programa de D&I estruturado, com estratégia e planejamento, realizando apenas ações pontuais.

A pesquisa também revelou que apenas 28% têm uma área específica para o tema. Segundo informações, a análise foi feita com 293 entidades, nacionais e multinacionais, de 34 países e 23 diferentes setores. Empresas como Johnson & Johnson, Natura, Cielo, IBM são exemplos de empresas que têm a diversidade e inclusão em sua estrutura.

Organizações e ambiente de trabalho

Ao incluir no quadro de funcionários pessoas de distintas etnias, tons de pele, gêneros e portadores de deficiências físicas, as organizações inserem no mercado de trabalho pessoas capazes, porém, discriminadas há gerações.  Como bem argumentou a gestão da empresa Magazine Luiza, alvo de polêmicas quando, em setembro de 2020, abriu vagas para um programa de treinee voltado somente para candidatos negros.

“Estamos absolutamente tranquilos quanto à legalidade do nosso Programa de Trainees 2021. Inclusive, ações afirmativas e de inclusão no mercado profissional, de pessoas discriminadas há gerações, fazem parte de uma nota técnica de 2018 do Ministério Público do Trabalho”, postou o Magazine Luiza no Twitter após inúmeras críticas com relação à medida.

Capacitar o setor de Recursos Humanos para uma seleção mais inclusiva e sem distinção (Reprodução/ Internet)

Sim, mesmo tomando iniciativa para colaborar e romper com a barreira do preconceito erguida há séculos e visando levar diversidade racial aos cargos, ocupados em grande parte por pessoas brancas, a loja foi alvo de críticas e gerou repercussão até mesmo nas mídias.

Porém, teve apoio de personalidades engajadas e ligadas contra o racismo e até movimentos negros, criados para combater a desigualdade racial como o Movimento Ar, instituído pela Universidade Zumbi dos Palmares e ONG Afobrás. O movimento manifestou na época total apoio a ação do Magazine Luiza, e o classificou como fantástica e transformadora manifestação de coragem e compromisso com a igualdade racial.

Benefícios para ambos

Redução de Conflitos: Ao contrário do que se imaginou durante muitos anos, diversos perfis em um ambiente de trabalho não é fórmula certa para desentendimento, mas soma inúmeros pontos de vista sobre assuntos variados estimulando trocas de informações, vivências e a política de convivência respeitando as divergências que podem ser fomentadas de forma inteligente.

Criatividade e Inovação: Fatores cruciais para resolução de novas problemáticas, criações de campanhas. Proporciona a competitividade e saída da zona de conforto e ao mesmo tempo trazendo respiro, leveza e mais estímulo ao ambiente.

Mais lucros e crescimento: Pesquisas apontam que empresas com mais diversidade de gênero, por exemplo, tem alta em suas ações e, de acordo com estudos realizados e divulgados por uma consultoria americana, a McKinsey, empresas que têm cargos executivos liderados por um maior número de diversidade gênero têm lucros 21% a mais das que não têm ou possuem uma diversidade menor. O crescimento vai para 33% quando se fala em diversidade étnica.

A pluralidade contribui positivamente para as organizações (Reprodução/ Internet)

Pertencimento é fundamental

Mas é válido e essencial frisar que nada vale a inclusão e a diversidade se o funcionário não tem lugar de fala dentro da organização. O sentimento de pertencimento e acolhimento precisa existir para que então a troca siga o fluxo e traga benefícios para ambos. Mais do que trabalhar e produzir, é se sentir incluído e respeitado podendo ser quem de fato ele é com a satisfação de produzir seu melhor para a empresa. Assim os dois lados cumprem seu papel de forma saudável.

Como promover?

O primeiro passo é entender que inclusão e diversidade não é caridade, é ter consciência da importância da pluralidade, das diferentes culturas que são peças-chaves para inovações em um ambiente de trabalho.  Atentar para a diferença entre equidade e igualdade, nesse sentido a igualdade diz que todos são iguais tendo os mesmos deveres e direitos, já equidade mostra que cada indivíduo, mesmo que igual, tem necessidades diferentes evitando que a injustiça e a desigualdade se sobressaiam.

Capacitar o setor de Recursos Humanos para uma seleção mais inclusivas e sem distinção. Dar oportunidade para diferentes perfis com recrutamentos que consigam obter a participação de candidatos de diferentes “tribos”. Investir em capacitações e cursos novos aos que já estão na instituição também é necessário para que estes saibam ouvir, liderar atender as demandas de cada indivíduo da organização.

Um líder que sabe coordenar diferentes conceitos e sugestões tem mais capacidade para tomar uma decisão que beneficie tanto a empresa quanto o funcionário. Revisar as estruturas da empresa, reavaliar linguagens internas, promover treinamentos, estar atento ao que move toda essa geração plural e dinâmica.

Não adianta criar um ambiente diverso e cheio de inclusão só por modismo ou status sem parecer novo, a demanda é antiga e a adesão contribui para um mercado de trabalho mais justo, digno, plural e multicultural.