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19 de novembro de 2021
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Gabriella Lira – Da Cenarium

MANAUS – Uma pesquisa inédita realizada pelo Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), publicada na sexta-feira, 18, apontou uma área de mais de 71 mil hectares*, no Amazonas, com exploração madeireira, sendo que 18.992 ha – correspondente a 18 mil campos de futebol – não foi autorizada pelos órgãos ambientais. As imagens utilizadas são do período de agosto de 2019 a julho de 2020, e os dados foram coletados de novembro de 2020 a junho de 2021.

O levantamento foi realizado pela Rede Simex, integrada por quatro organizações de pesquisa ambiental: Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e Instituto Centro de Vida (ICV).

No período avaliado, 71.091 hectares de floresta foram explorados em territórios no Amazonas, sendo 18.992 hectares em locais não permitidos, como terras indígenas, onde a exploração de madeira corresponde a 9.576 hectares, e áreas de conservação de proteção integral. 

Em um ranking dos territórios indígenas explorados no Amazonas, 66% de toda extração ocorreu somente em Tenharim Marmelos, localizado no Sul do Estado e atravessada pela Transamazônica, com 6.330 hectares. Em segundo, Sepoti com 2.149 hectares (22,4%); Kaxarari com 591 hectares (6,2%); Tenharim Marmelos (Gleba B) com 460 hectares (4,8%); Jacareúba/Katauixi com 43 hectares (0,5%) e Rio Manicoré com 3 hectares (0,03%).

(Arte: Ygor Fabio Barbosa)

A pesquisadora do Idesam Tayane Carvalho pontuou alguns motivos que levam ao alto número de exploração de madeira não autorizada em terras indígenas.

“Um fator importante para ressaltar esse número em terras indígenas é a ausência de fiscalização. É necessário que os órgãos ambientais sejam atuantes em todas as regiões da Amazônia, principalmente no interior dos Estados, só assim será possível garantir que essas terras não sejam invadidas nem exploradas. É direito dos indígenas terem suas terras asseguradas e é dever do Estado protegê-las”, alerta a pesquisadora.

Dados

O levantamento conta com imagens dos satélites Landsat e Sentinel 2, que são obtidas a partir da plataforma de monitoramento ambiental Google Earth Engine. Durante a realização da pesquisa, a falta de acesso a dados públicos impediu a análise da legalidade das áreas exploradas e avaliação de maior gravidade do problema.

“Solicitamos alguns documentos ao órgão ambiental responsável pelo licenciamento dos Planos de Manejo Florestal, o Ipaam [Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas], mas não obtivemos nenhuma resposta. Nossa intenção era fazer uma análise mais aprofundada da legalidade dessas explorações, mas para isso precisávamos ter em mãos a localização exata das áreas que tinham licença para extrair madeira no período avaliado”, explicou ainda Tayane.

“Dessa forma, identificamos exploração ilegal somente nas áreas que pela legislação são totalmente proibidas de serem exploradas, como as Unidades de Conservação de proteção integral e as Terras Indígenas, que, juntas, somaram 18.992 ha explorados no Estado do Amazonas”, disse ainda.

Exploração ilegal de madeira na Amazônia (Reprodução/Tayane Carvalho)

Municípios

Em relação aos municípios, a pesquisa também mostra que a região Sul do Amazonas foi a mais afetada. A área tem sido impactada pelo avanço de uma nova fronteira agrícola na Amazônia, com florestas sendo alvos de desmatamento e degradação florestal. Os Estados monitorados pelo Simex são Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Acre e Amapá. 

“Foi a primeira vez que fizemos esse mapeamento completo para o Amazonas. Mas ficamos surpresos com a área total explorada no Estado, o que o colocou no segundo lugar do ranking dos Estados em relação à área total de exploração madeireira na Amazônia”, contou a pesquisadora. 

O Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex) é uma ferramenta desenvolvida pelo Imazon, em 2008, para avaliar Planos de Manejo Florestais e mapear áreas submetidas à exploração madeireira na região. Em 2020, com objetivo de expandir a atuação do Simex nos Estados da Amazônia, foi constituída a Rede Simex. 

Confira a pesquisa na íntegra.

(*) Quando da publicação, informamos que os 71 mil hectares seriam de exploração madeireira não autorizada, porém, a Rede Simex identificou 71 mil hectares de exploração madeireira, mas não autorizada foram 18.992 ha, área que corresponde a 18 mil campos de futebol. As imagens utilizadas são do período de agosto de 2019 a julho de 2020, e os dados foram coletados de novembro de 2020 a junho de 2021, e não entre outubro e novembro de 2020 a junho de 2021. Diante do erro, fizemos as devidas correções às 14h46 de 19 de outubro de 2021.