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26 de janeiro de 2022
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Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – Um projeto criado no Amazonas formou uma rede de apoio para mulheres vítimas de abuso sexual em Manaus. O “Ana Por Elas“, fundado pela amazonense Ana Brito, busca mostrar também a importância da defesa dessa bandeira. Dados da Pesquisa Nacional da Saúde (PNS), divulgada em maio deste ano, mostram que pelo menos 8% de mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência sexual.

De acordo com Ana, ela foi vítima desse crime aos 14 anos e, ainda, adolescente decidiu trilhar um caminho lidando com desafios, traumas e, sobretudo, com o preconceito. “Quando encontrei minha paixão profissional, eu identifiquei uma forma de ajudar e prestar apoio a outras vítimas, proporcionando uma transformação de autoestima”, relatou.

Ana afirmou que costuma lembrar a todos que uma menina de 14 anos ainda é considerada uma criança. “O abuso sexual é o crime mais bárbaro que existe. O estuprador tem escolha, mas prefere estuprar. Ou ele te faz ser fraca, ou ele te faz ser forte. Eu escolhi ajudar mulheres que passaram o que eu passei e que continuam passando. Quando uma mulher silencia, ela mata centenas de outras mulheres. A gente tem que denunciar. Lugar de abusador é na cadeia”, enfatiza.

Ana Brito, a fundadora do projeto “Ana Por Elas” (Reprodução/ Internet)

Com mais de 20 anos trabalhando no segmento de beleza, Ana conta que ao longo desse período têm conseguido prestar serviços gratuitos, por meio do próprio salão de beleza, como uma forma de apoiar essas vítimas. Ela conta ainda que as ações são feitas pelo projeto há 10 anos de forma anônima.

“Mas, como uma forma de mostrar a importância na defesa dessa bandeira, eu decidi criar uma equipe para compartilhar, com outras pessoas, as histórias de mulheres amazonenses que também foram ou são vítimas de abuso sexual. Temos depoimentos de mulheres que buscam o projeto e que de fato tiveram sua autoestima transformada com a ajuda do programa”, explica ela.

Ajuda

Ana conta também que as mulheres que se identificarem com o projeto podem entrar em contato por meio das redes sociais, principalmente pela plataforma Instagram, que atualmente conta com mais de 20 mil seguidores.

Além disso, o projeto também tem um grupo de mensagens na plataforma WhatsApp, com diversos colaboradores do programa e com pessoas que apoiam o projeto.

Dados

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, juntamente com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgados em outubro deste ano, cerca de 100 crianças e adolescentes com até 14 anos são estupradas, por dia, no Brasil. Entre os anos de 2017 a 2020, foram registrados mais de 179 mil casos de estupro com vítimas menores de 19 nos, com média de quase 45 mil casos por ano. Crianças até 10 anos somam 62 mil casos.

No Amazonas, 629 casos de crianças e adolescentes de até 17 anos vítimas de estupro foram registrados em 2020, de acordo com o 15º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. No Estado, crianças com até 11 anos representam mais de 57% dos casos, e adolescentes de até 17 anos representam mais de 42%. No relatório apresentado pelo Anuário, o Mato Grosso do Sul tem mais de 187 mil casos registrados no período.