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26 de janeiro de 2022
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – Os indígenas da Terra Indígena (TI) Yanomami continuam sofrendo com a crise sanitária que atinge o maior território tradicional do País, mesmo após a reportagem do Fantástico que teve repercussão nacional mostrando como a desnutrição e a malária vitimizam os indígenas . Nesta quarta-feira, 8, a CENARIUM conversou com o presidente do Conselho de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuana (Condisi-YY), Júnior Hekurari, que afirmou que faltam planejamentos de ações permanentes para melhorar as condições de saúde dos Yanomami.

Segundo Hekurari, no último dia 18 de novembro, houve uma reunião com representantes do Ministério da Saúde (MS) onde foram alinhadas ações de apoio à saúde nas comunidades Yanomami. Uma dessas ações seria o emprego de mais 20 profissionais de saúde para atendimento.

“É pouca gente para o número de pessoas e para o tamanho do território. Faltam ações permanentes, 20 pessoas não vão conseguir atender a todos que precisam”, afirma Júnior Hekurari sobre o efetivo insuficiente para atender as 370 aldeias nos quase 10 milhões de hectares de território.

Hekurari cita ainda que o governo federal não apresenta planejamento de ações concretas para atender a TI e que as ações apresentadas são pontuais, ou seja, não transformarão definitivamente as condições de saúde dos indígenas.

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Júnior Hekurari Yanomami em entrevista à CENARIUM, no dia 21/11/2021. (Reprodução)

Luta própria

O acesso à TI só é possível via transporte aéreo, que demora cerca de uma hora e meia. Na falta de ações efetivas e permanentes, os indígenas trabalham por conta própria para dar conta de atender a todos os doentes. Na segunda-feira, 6, Hekurari publicou um vídeo no Twitter no qual mostrou um hospital de internação improvisado que foi construído na comunidade Maloca Paapiu, com cerca de 400 moradores. Destes, pelo menos, 200 foram diagnosticados com malária, em apenas um mês.

“O povo Yanomami construiu o hospital de internação para os pacientes receberem tratamento de malária, no polo Base – Maloca Paapiu, devido ao alto número de infectados. Segundo a equipe de saúde do DseiY/ SESAI são notificados 50 casos de malária, por semana”, disse ele.

“Tem muita morte, nessa comunidade, uma moça morreu de malária após o parto”, contou Hekurari, afirmando ainda que, desde 2019, o número de casos da doença cresceu exponencialmente e a principal causa é o garimpo ilegal na região. “Aumentou bastante desde a entrada de garimpeiros, espalhou muito, principalmente pelo desmatamento”.

Leia também: ‘Precisamos de intervenção imediata’, diz liderança Yanomami sobre indígenas afetados por surto de malária

Veja abaixo o vídeo publicado por Júnior Hekurari no Twitter:

(Reprodução/ Twitter)