Bolsonaro aposta tudo nas manifestações de 7 de setembro

Wesley Diego – Da Cenarium

SÃO PAULO – Os protestos do Dia da Independência estão sendo organizados há meses pelos bolsonaristas e foram concentrados em dois locais: Brasília e São Paulo. A intenção é aglutinar o maior volume de pessoas para levantar as bandeiras do presidente. 

A manifestação da Avenida Paulista está marcada para acontecer no período da tarde com a presença de Jair Bolsonaro (sem partido). Enquanto os atos pró-Bolsonaro ocorreram na Paulista, as manifestações contra o governo ficarão centralizadas no Vale do Anhangabaú, a apenas três quilômetros de distância um do outro. 

Um megaesquema de segurança foi montado. Os participantes serão revistados. Quatro mil policiais militares estarão nas ruas, serão usados três helicópteros, drones e todo aparato de defesa do Estado estará disponível. João Doria (PSDB) acompanhará tudo do Centro de Operações da PM.

Manifestações da “insurreição”

Mesmo Bolsonaro dizendo que “ninguém precisa temer o 7 de setembro”, o que se vê na prática é o contrário. O cantor Sérgio Reis e o ex-deputado federal Roberto Jefferson, apoiadores do presidente, são investigados por supostas incitações da população a praticar atos violentos contra o Supremo Tribunal Federal (STF). 

A última prisão foi do blogueiro bolsonarista Wellington Macedo, ordenado pela subprocuradora Lindôra Araújo. Segundo a PGR, Macedo foi apontado como um dos responsáveis pela coordenação de atos antidemocráticos e violentos contra o STF previstos para o 7 de setembro. 

Em discurso na última sexta-feira, 3, Bolsonaro falou em tom ameaçador que as manifestações serão um ultimato a dois ministros do STF.

“Não podemos admitir que uma ou duas pessoas, usando da força do poder, queiram dar outro rumo ao nosso País. Essas uma ou duas pessoas precisam entender o seu lugar. O recado de vocês nas ruas, na próxima terça-feira, 7, será um ultimato para essas duas pessoas. Curvem-se à Constituição, respeitem a nossa liberdade e entendam que vocês dois estão no caminho errado, porque sempre há tempo de se redimir”, disse o presidente.

Bolsonaro em cerimônia em Tanhaçu, na Bahia (Marcos Correa / Divulgação)

Caravana armada

Depois que o governador João Doria afastou um coronel da Polícia Militar por convocar pares para os atos dessa terça-feira, 7, outros chefes de Estados adotaram medidas para conter o avanço da insubordinação nas corporações. 

Aleksander Lacerda comandava a PM, em Sorocaba, e declara apoio ao presidente Jair Bolsonaro (Reprodução/Twitter)

O regimento interno da Polícia, em São Paulo, proíbe os militares de participarem de eventos de caráter político-partidário. O risco de quebra de hierarquia é grande e está sendo considerado pelos governadores.

O governador do Maranhão, Flávio Dino, diz que avaliará caso algum policial passe do tom. “Qualquer transgressão disciplinar será avaliada posteriormente pelo comando geral da PM”.

Já o governador do Amazonas, Wilson Lima, ressalta que o regulamento deve ser seguido pelos integrantes das forças: “A PM tem seu regulamento disciplinar, que proíbe manifestações político-partidárias e que deve ser seguido pelos membros da corporação”.

“Todos serão revistados, a PM recebeu orientação para que todos, sem exceção, com mochilas, com bolsas, com bolsos, sejam revistados. Não será permitido qualquer tipo de armamento, seja arma de fogo, branca, mesmo que sejam policiais aposentados. Se forem, serão convidados a se retirar e não participarão de nenhuma manifestação”, falou Doria.

A expectativa é de que um número grande de policiais da reserva e ativa participem dos atos.

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