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23 de abril de 2021

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Com informações da Folha de S. Paulo

RECIFE E NATAL – Contêiner para armazenamento de corpos no estacionamento de um hospital, novas covas abertas nos cemitérios, pacientes graves na fila por uma vaga de UTI e espera de até seis horas dentro de uma ambulância.

Este é o cenário em boa parte das capitais nordestinas após a pior semana desde o início da pandemia do novo coronavírus. Nas cidades de Natal, Recife, São Luis e Teresina, a ocupação de leitos de UTI para pessoas com sintomas da Covid-19 ultrapassou os 90%.

A trilha sonora da pandemia é angustiante. Nas ruas, a qualquer hora, as sirenes das ambulâncias não param. Nos hospitais públicos e privados, médicos e profissionais de saúde exaustos se desdobram para socorrer tantos pacientes. Em algumas cidades, usuários de planos de saúde estão sendo atendidos nos hospitais públicos.

Natal

Em Natal e Salvador, doentes graves chegam a esperar até seis horas dentro de ambulâncias particulares e do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). Na prática, sem vagas nas UTIs, as viaturas são transformadas em leitos temporários.

O médico Pedro Julião, que atua no Samu de Salvador, fez um desabafo sobre o esgotamento do sistema de saúde. “A situação é real e precária. Não duvide de que hoje nós não temos vagas para as pessoas nos hospitais e muitas delas estão falecendo dentro das ambulâncias e nas portas da UPAs”, disse.

O coordenador de urgência da Secretaria de Saúde de Salvador, Ivan Paiva, destaca que, enquanto as ambulâncias estão paradas por seis horas com pacientes esperando para acessar uma vaga na unidade de saúde, três transferências poderiam ser feitas neste período.

“O que mais me preocupa não é a assistência ao paciente durante este tempo porque a ambulância tem toda a estrutura, mas é que poderíamos transportar outras pessoas”, ressalta.

UPA

Na região metropolitana de Natal, nenhum leito está vago desde a última semana de fevereiro. Os pacientes estão sendo atendidos em leitos improvisados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Segundo a Secretaria de Saúde de Natal, 35 pacientes com Covid-19 estão na fila de espera da UTI; outros 12 suspeitos também aguardam a regulação.

Com o colapso na região metropolitana, os pacientes passaram a ser transferidos para regiões do Rio Grande do Norte que possuem leitos disponíveis. Entretanto, todas as regiões já ultrapassam os 90% de ocupação. No Hospital Regional do Seridó, localizado a 283 quilômetros de Natal, os 30 leitos de UTI estão ocupados e apenas quatro leitos de enfermaria estão vagos.

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, disse que não basta abrir leitos. “Chegamos ao nosso limite, a começar pela exaustão dos profissionais de saúde e pelo alto número de internações. Não vou iludir a população do Rio Grande do Norte dizendo que basta abrir leitos. Não basta. É preciso aumentar o isolamento social rigorosamente”, declarou.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Cipriano Maia, a maior dificuldade é a abertura de leitos na mesma velocidade do aumento das internações. “Não conseguimos fazer convocações e nem realizar contratação temporária de profissionais com qualificação necessária para atuar nas UTIs.”

Recife

No Recife, um contêiner para armazenar corpos foi instalado pela prefeitura no estacionamento do Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa, na zona oeste da cidade.

Em Olinda, cidade vizinha ao Recife, a prefeitura precisou viabilizar dois novos terrenos para instalação de 800 gavetas especiais para as vítimas do coronavírus.

“Estamos correndo atrás e será feito no mais breve tempo possível. No fim do ano passado, diante do aumento de casos, precisamos abrir 200 novas covas no cemitério de Águas Compridas”, afirmou o coordenador de necrópoles Edvaldo Alves.

Em Pernambuco, na quinta-feira, 4, havia apenas 92 leitos de UTI para pacientes com síndrome respiratória aguda grave nas redes pública e privada.

Decretos

Diante do quadro de extrema gravidade, governadores do Nordeste publicaram decretos nesta semana com toques de recolher e medidas restritivas na tentativa de diminuir a aceleração do contágio.