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26 de janeiro de 2022
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Priscilla Peixoto – Da Revista Cenarium

MANAUS – Com projeto intitulado “Amigos do Kelinho”, o agente de conservação e professor de jiu-jítsu Kelly Fernando, de 32 anos, resolveu utilizar o esporte como ferramenta de incentivo e promoção a atividades físicas, resgatando crianças e jovens do município de Anori (a 196 quilômetros de Manaus) de situações de risco nas ruas.

Conforme o organizador do projeto, a iniciativa, que começou como uma tarde recreativa para os jovens e crianças do bairro Santo Antônio, há pouco mais de 6 meses, ganhou força e se transformou em uma ocupação para aqueles que ficavam ociosos pelas ruas e expostos, até mesmo, ao tráfico de drogas. Atualmente, o projeto conta com a participação de 35 jovens.

“Vi a dificuldade que a molecada tinha em relação a algo que ocupasse a mente deles de forma positiva. Muitos já estavam indo para o lado das drogas e consumo de álcool. Então, comecei a pensar em algo que pudesse ser divertido, didático e que somasse na vida deles”, relembra Fernando.

Com apoio inicial da esposa, Luciene Farias, de 28 anos, as atividades iniciais feitas em frente à residência do casal tinham como base brincadeiras tradicionais, como barra-bandeira, “tacobol” e “gemerson”, mas logo o mediador das brincadeiras notou que o forte da “molecada” era o futebol.

“Eu notei a preferência deles pelo futebol e comecei a fazer campeonatos valendo coisas pequenas, como um bolo, pizza, refrigerante e foi quando me pediram para participar de campeonatos. Então, corri atrás, pois, até então, era só uma distração com o intuito de não deixar essas crianças se perderem no ócio das ruas. Fui atrás de uniforme, inscrições, patrocínios e foi então que a coisa começou a ficar séria”, conta.

Parte da equipe “Amigos do Kelinho”. (Reprodução/ Arquivo Pessoal)

Competições e Apoio

Após ir em busca de apoio, “Kelinho”, como é popularmente chamado pelos moradores de Anori, conseguiu, além de todos os uniformes, as inscrições dos integrantes do projeto para participarem da Copa Anori de Futsal de Base e, principalmente, manter a juventude do bairro longe do vício.

“Graças a Deus, conseguimos tudo! Uniformes, chuteiras, meias… Muita gente apoiou. Entramos no campeonato graças a figuras como o Paulo Victor e o Darlei que abriram as portas para nós entrarmos na disputa com dois times, sub 12 e sub 15, que, inclusive, se classificaram para continuar nos jogos”, disse.

Além do apoio de amigos e da esposa, Kelinho também conta com aquilo que considera a assistência mais essencial de todas: a das mães. De acordo com ele, a maioria das mães acompanha as ações dos filhos e se sente grata ao ver as transformações ocasionadas após a prática esportiva.

“Tenho dois filhos envolvidos no projeto, graças a Deus. Como mãe, eu afirmo que melhorou muito a rotina dos meninos, pois não ficam à toa na rua, nem fazendo coisa errada. Vão treinar em equipe, aprendem a se respeitar e a se tornar mais responsáveis”, afirma Maely Avelino, mãe de meninos que integram o projeto.

Critérios

Para participar das atividades, segundo o organizador, o principal critério é ser comprometido com os estudos. “Eu converso com as mães, peço que elas acompanhem mesmo e observem o comportamento deles. Qualquer dificuldade que tenham com eles, oriento que venham conversar comigo e aqui a gente encontra uma possível solução ou, até mesmo, uma advertência para os que tenham desviado o foco ou se metido em coisas erradas”, explica.

Reunião dos jogadores antes da disputa. (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Futuramente, Kelly Fernando disse querer incentivar um melhor desempenho dentro da sala de aula. “Tem um amigo meu de Manaus que, inclusive, já doou uma mesa de ping-pong para o projeto que vai desenvolver conosco uma premiação para aqueles que obtiverem as quatro melhores notas na escola. Assim, eles se sentem mais estimulados”, revela o organizador.

Esperança

Ao ser questionado sobre qual sentimento impera ao ver os jovens empenhados nos treinos diários, mesmo que de forma simples e amadora, na varanda da própria casa, a resposta do anoriense é certeira: “Gratidão e esperança”. Mesmo sendo uma figura conhecida na cidade por gostar de ajudar o próximo, Kelinho faz questão de destacar que a iniciativa é feita, simplesmente, por acreditar na mudança das pessoas e que uma comunidade com esporte possibilita mais oportunidade para a juventude.

“Eu acredito demais na mudança das pessoas e creio que daqui ainda vão sair talentos que vão nos encher de orgulho. Às vezes, as pessoas precisam de um olhar diferenciado, uma lapidação ou oportunidade. Sou apenas um agente de conservação, mas o que eu e minha esposa e todos aqueles amigos podem fazer, já está fazendo a diferença. O projeto é muito novo ainda, creio que o principal já fizemos, que é acreditar e agir. Não vou abandonar essa meninada, e sei que o esporte é uma ferramenta de mudança de vida poderosa” finaliza.

Aos que desejarem conhecer o projeto, ajudar ou obter mais informações, é só entrar em contato pelo fone/WhatsApp: (92) 99202-4674 (Kelinho).