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26 de janeiro de 2022
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Victória Sales – Da Revista Cenarium

MANAUS – No decorrer da operação da Polícia Federal (PF), com apoio das Forças Nacionais de Segurança, na região do rio Madeira, no Amazonas, três pessoas foram presas e 131 balsas utilizadas para o garimpo ilegal foram apreendidas e destruídas. Centenas de dragas atracaram nas águas da localidade, no total, mais de 300 balsas foram identificadas realizando a atividade, desde a última terça-feira, 23.

Após uma grande quantidade de ouro ter sido identificada em um dos maiores rios da Amazônia, a PF trabalha para desarticular a retirada ilegal do produto. De acordo com a força de segurança, ações como essas causam um grande dano ao meio ambiente, pois acabam com diversos tipos de alimentos, incluindo os peixes, que são fontes de renda para famílias ribeirinhas que vivem, principalmente, no município de Autazes, região mais próxima de onde as embarcações estão situadas.

Leia mais: Doutor em Ciência Socioambiental defende alternativa de renda legal para garimpeiros

Operação Uiara

Nesse sábado, 27, agentes da PF e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desarticularam uma ação contra um grupo de garimpeiros ilegais que atuam na região do rio Madeira. Durante o primeiro dia de ação, pelo menos 30 balsas foram incendiadas, e outras foram retiradas, após o vazamento da ação policial que aconteceria no local.

Segundo a PF, a operação contou com apoio de agentes do Amazonas e do Paraná, Distrito Federal, Paraíba e Pará. Além das “balsas-dragas”, maquinários, mercúrio e ouro foram apreendidos pelos agentes, em quantidades não informadas. Vídeos divulgados pelos garimpeiros e captados por moradores também mostram momentos da operação com as balsas incendiadas no Paraná do Maracá, um dos braços do Madeira.

Vídeo do momento do incêndio divulgado em grupos de WhatsApp. (Reprodução/ Internet)

O acesso às balsas ocorreu por helicópteros e lanchas da Polícia Federal, que aterrissaram nas margens do Rio Madeira. Agentes saíram das aeronaves armados e abordaram os garimpeiros, que, em sua maioria, não apresentaram resistência. Segundo relatos de moradores da Comunidade Rosarinho, região próxima ao local onde estavam parte das balsas, os agentes deram dois minutos para que eles se retirassem das balsas.

Helicópteros da Polícia Federal aterrissaram nas margens do rio Madeira para prender garimpeiros. (Divulgação/ PF)

Revolta

No dia seguinte à operação articulada pela PF, um grupo de garimpeiros realizaram um protesto na praça principal do município de Borba, no Amazonas (distante 149 quilômetros de Manaus). Em conversas no WhatsApp, garimpeiros pediram para que o prefeito do município atendesse e desse uma resposta aos garimpeiros que tiveram suas balsas incendiadas pelos agentes da força de segurança.

Imagens do protesto em Borba. (Reprodução/ Internet)

Em vídeo divulgado nas redes sociais, um garimpeiro, rodeado de outras pessoas, que aparentam ser familiares e amigos, pede ajuda e o envio de um barco para sair do local. O homem, que diz estar na comunidade de Rosarinho, em Autazes, apela para o prefeito de Manicoré, Lúcio Flávio do Rosário (PSD).

“Queremos aqui pedir o apoio do nosso prefeito de Manicoré. Solicitamos ajuda para nós que estamos no Rosarinho. Por favor, mandar um barco ou autorizar alguém para levar a gente, alguém que esteja vendo esse vídeo, a gente está precisando de apoio. Muitos pais de família estão passando necessidade. Seu prefeito, faça alguma coisa pela gente”, diz o garimpeiro.

Garimpeiro pede ajuda ao prefeito de Manicoré (Reprodução/ Internet)

Elogio

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), defendeu, na manhã desta segunda-feira, 29, a operação articulada por Forças Nacionais de Segurança, nesse fim de semana, que destruiu diversas embarcações que eram usadas para o garimpo ilegal. “Operação foi feita de imediato. Tinha de ter feito da maneira como foi. O que está ilegal tem de ter o equipamento apreendido e destruído”, destacou.

“O garimpo já foi devidamente dispersado, mas tem de manter uma vigilância constante, pois tem ouro lá. Sem vigilância o pessoal volta”, afirmou o vice-presidente. Logo após a operação, o ministro da Justiça, Anderson Torres, foi às redes sociais e afirmou que a pasta agiu “imediatamente” contra o crime.