4 de março de 2021

Jennifer Silva – Da Revista Cenarium

MANAUS – A juíza federal da 1a. Vara, Jaíza Fraxe, formalizou em decisão na tarde desta quarta-feira, 17, que os “fura-filas” responsáveis por tomarem indevidamente tanto a primeira quanto a segunda dose da vacina contra o novo coronavírus, mesmo sob ordem judicial contrária, serão devidamente processados judicialmente e responsabilizados segundo ordena a lei.

Jaíza Fraxe solicitou a relação das pessoas vacinadas até 19h do dia respectivo, para futuras punições a serem sancionadas aos infratores, sob pena de aplicação de multa diária e pessoal ao prefeito municipal no valor de cem mil reais (R$100.000,00), caso não cumpra a determinação.

Exoneração

Na última semana, a prefeitura de Manaus publicou a exoneração das irmãs Lins e mais cinco gerentes de projetos depois de 25 dias da nomeação controversa. Os profissionais – recém-contratados pela prefeitura de Manaus – foram acusados por órgãos de controle do Amazonas de tirar a vez de funcionários da Saúde que atuam na linha de frente nos prontos-socorros desde o início da pandemia em abril de 2019.

Insustentável

Em nota divulgada à imprensa, as irmãs Lins declararam que a exoneração ocorreu por solicitação das mesmas e surgiu após a situação ficar “insustentável” e comprometer o ambiente de trabalho na Unidade Básica de Saúde onde as gêmeas estavam lotadas.

“Diante de outras possibilidades de colocação, não havia porque Gabrielle e Isabelle permanecerem ali com todo o desgaste que se criou, já que muito longe de qualquer favorecimento o intuito de todos os médicos era atender o chamado da prefeitura”, diz trecho.

Esquema fraudulento

Por conta do escândalo, a vacinação foi suspensa no dia 21 de janeiro. Entre as pessoas vacinadas irregularmente está o filho do ex-deputado estadual Wanderley Dallas (Solidariedade), David Dallas. Ele também teve a exoneração publicada na mesma edição do DOM.

Dessa forma, uma ação criminal do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) pediu as prisões preventivas do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), da secretária municipal de Saúde (Semsa), Shadia Fraxe, do secretário municipal de Limpeza (Semulsp), Sabá Reis, e de mais outros 19 servidores, revelando um possível esquema fraudulento de contratações de funcionários comissionados.

Divulgada no dia 27 de janeiro, a ação do MP-AM ocorre após desvios de vacinas contra a Covid-19 destinadas a funcionários da Saúde e idosos, que privilegiaram “apadrinhados políticos”. Sem julgar o mérito da ação criminal do MP-AM, o desembargador Hamilton Saraiva, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), encaminhou o processo à Justiça Federal.

Veja documento na íntegra: