20 de setembro de 2020

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Luciana Bezerra – Da Revista Cenarium

MANAUS — Em meio ao alto índice de queimadas na Amazônia e no Pantanal Matogrossense, que de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vem batendo recordes históricos desde julho, o ilustrador e roteirista amazonense Ademar Vieira, 39 anos, disse à REVISTA CENARIUM, nesta segunda-feira, 14, que resolveu criar uma série de 10 tirinhas intitulada “Mãe” para retratar a matriarca de todos os seres vivos, a ‘Natureza’, que está sofrendo nas mãos humanas.

Em sua página do Instagram, o ilustrador explica aos seguidores — principalmente ao público internacional —, que no Brasil há notícias diárias de incêndios criminosos na Amazônia e no Pantanal, as duas maiores reservas de biodiversidade do planeta.

“Talvez por meio da arte, nós possamos nos colocar no lugar deles [animais] e tentar ver as coisas por outra perspectiva”, esclarece o ilustrador como forma de alertar ao mundo para que a sociedade e autoridades brasileiras tenham mais consciência em relação ao que estão fazendo com o meio ambiente.

Ademar ressalta ainda que a ideia da tirinha ‘Mãe’, é sensibilizar as pessoas de uma forma mais profunda, já que os noticiários, com o tempo perdem força.

Tirinha do ilustrador amazonense expressa o desespero dos animais diante dos incêndios criminosos causados na Amazônia e Pantanal. Clique aqui para acessar o Instagram do artista (Divulgação/ Ademar Vieira)

Para se ter uma ideia, entre 1º e 8 de setembro de 2020, os focos de calor no Amazonas aumentaram 170% em relação ao mesmo período do ano passado. Já no Pantanal, o incêndio consumiu 1,8 milhão de hectares e as queimadas dizimaram cerca de 12% da área total do bioma, segundo informações do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais.

Fumaça das queimadas chega no Sul e Sudeste

A fumaça das queimadas que estão devastando a Amazônia e o Pantanal começam a chegar às regiões Sul e Sudeste do País, nos últimos dias, de acordo com as imagens de satélite mais recentes divulgadas pelo Inpe, na ultima quarta-feira, 9.

Segundo as imagens, a fumaça está mais concentrada nos Estados da região Norte e Centro Oeste — especialmente no Amazonas, Rondônia, Acre e norte do Mato Grosso —, já chegam ao Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte de São Paulo.

A quantidade de queimadas no País, no entanto, aumenta o volume de fumaça no ar e faz com que os ventos levem mais tempo para dissipá-la e a espalhem mais para o Sul, conforme apontou o chefe do programa Queimadas do Inpe, Alberto Setzer, no último sábado, 12.

Já na região Norte, períodos dominados pela fumaça são comuns nesta época do ano. Nos últimos dias, Manaus, no AM, tem amanhecido sob uma cortina de fumaça, causada em grande parte pelas queimadas intensas no Pará que, com as correntes de vento, é levada até a capital amazonense.

Apesar do investimento do Governo Federal em enviar tropas para a Amazônia para tentar conter as queimadas este ano, os números mostram que os militares até agora não tiveram sucesso.

Ainda de acordo com os dados do Inpe coletados até quinta-feira passada, apontam um aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano passado. Um crescimento pequeno, se não fosse o fato de 2019 ter dito o maior número de focos de queimadas detectados pelo Inpe desde 2012, com 108,9 mil pontos até 10 de setembro. Este ano, no mesmo, são 116,9 mil.

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