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29 de janeiro de 2022
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Da Revista Cenarium*

MANAUS – Após a Secretaria de Saúde do município de Formoso do Araguaia** confirmar 83 casos de Covid-19 em nativos da Terra Indígena conhecida como Ilha do Bananal, a prefeitura local decidiu proibir desde a semana passada, a entrada de indígenas no espaço urbano. Para impedir a passagem uma barreira sanitária foi instalada na entrada da cidade.

Indignado com a decisão o presidente do Conselho das Organizações Indígenas do Povo Javaé da Ilha do Bananal (Conjaba), Vantuíres Javaé, denunciou o caso ao Ministério Público Federal (MPF), à Fundação Nacional Do Índio (Funai) e ao Ministério Público do Tocantins (MP-TO). Ele também registrou um boletim de ocorrência por prática de discriminação racial.

Em comunicado às lideranças do povo javaé, a Secretaria de Saúde informou que “fica proibida a entrada de toda comunidade indígena javaé”. A medida, inicialmente válida por sete dias, foi renovada por mais uma semana. “A preocupação deles não é com a nossa saúde, e sim para não infectar a cidade. A gente se sentiu muito desprezado”, disse Javaé.

Fiscalização

Um vídeo gravado nesta terça-feira, 7, mostra a liderança sendo barrada quando tentava passar pela fiscalização na BR-242. Na tenda armada ao lado da estrada, aparecem alguns índios impedidos de continuar a viagem. Segundo ele, motoristas não indígenas transitavam livremente.

De acordo com o boletim epidemiológico da cidade divulgado na segunda-feira, 6, o município tem 192 casos confirmados, dos quais 83 são indígenas moradores da Terra Indígena Araguaia (Ilha do Bananal), que abriga quatro povos e uma população estimada de cerca de 3.500 pessoas.

Com a repercussão do caso, a Secretaria de Saúde enviou nesta quarta-feira, 8, uma nova mensagem às lideranças indígenas flexibilizando a proibição. O texto diz que a passagem foi liberada para todos os não infectados e sem suspeita de infecção por Covid-19.

Via mensagem de texto, a assessoria jurídica da Secretaria de Saúde de Formoso do Araguaia informou que não houve proibição, e sim “um isolamento domiciliar nas aldeias”. Questionado sobre o vídeo, disse que “são indígenas aguardando resultado de exames do Lacen com suspeita de Covid-19, que estavam em isolamento domiciliar nas suas aldeias.”

**(Município distante 276 quilômetros de Palmas/TO)

(*) Com informações da Folhapress