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24 de julho de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Lideranças indígenas do Amazonas se uniram aos protestos contra o presidente Bolsonaro (sem partido), em Manaus, e foram às ruas pedir o fim de projetos de leis que tramitam no Congresso Nacional ameaçando os povos originários, em um risco iminente de um genocídio indígena.

“Nós, povos indígenas, estamos sendo violados, os nossos direitos estão sendo violados, as nossas terras não estão sendo demarcadas. Nós estamos lutando contra a PL 490, que restringe a demarcação das terras indígenas. Já são mais de 500 mil brasileiros mortos pela Covid-19 e mais de mil indígenas mortos, isso é um genocídio que está acontecendo contra o povo brasileiro e também contra os povos indígenas”, declarou Samela.

A ativista indígena Samela Sateré-Mawé chama a atenção para o Projeto de Lei (PL) 490/2007, permite que o governo retire da posse de povos indígenas áreas oficializadas, além de ser considerado pelos povos indígenas um retrocesso, pois abre caminho para a exploração de territórios para o garimpo e para a inviabilização de novas demarcações.

Protesto contra Bolsonaro percorreu as ruas do Centro de Manaus (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

Na avaliação da indígena, a PL 490 é uma agenda genocida que leva em consideração o “Marco Temporal”, cuja tese se baseia na ideia de que o direito à terra indígena só poderá ser garantido se os povos tradicionais estivessem em posse da área na data de promulgação da Constituição Federal de 1988.

“O Marco Temporal diz que as terras indígenas só são dos povos indígenas a partir da Constituição de 1988. Mas nós somos povos originários, nós somos donos da terra muito antes da Constituição”, defendeu a ativista indígena Samela Sateré-Mawé.

Para Val Kokama, do povo Kokama, líder indígena da comunidade Caruara, do município de Tefé (a 521 quilômetros de Manaus), a PL 490 é uma medida que representa a extinção dos povos originários e a morte para as aldeias, onde vivem centenas de indígenas das mais variadas etnias.

“Não admitimos que o grileiro chegue as nossas, que o agronegócio chegue as nossas terras. Nós não aceitamos isso. A PL 490 traz a morte e a doença para as populações indígenas, a extinção de várias etnias, por isso dizemos não à PL”.

O ativista indígena Luciano Sateré-Mawé salienta que a PL surge para “abrir a porteira”, seguindo as diretrizes de “passar a boiada” do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

“O PL vem para abrir a porteira como o Salles quer. Não podemos deixar isso passar. Como brasileiro e povo indígena, temos que nos manifestar. Infelizmente, estamos numa pandemia agravada por conta deste governo genocida, mas temos que protestar e reivindicar nossos direitos. Não existe floresta sem povos indígenas, e não existe povos indígenas sem floresta”, finalizou.

O ato

O ato em Manaus ocorreu no Centro da capital. Os ativistas se reuniram na Praça da Saudade, por volta das 15h, e percorreram a região até o Largo de São Sebastião, no Teatro Amazonas. Com gritos de “fora Bolsonaro”, os manifestantes protestaram ainda contra cortes na Educação, a reforma administrativa, privatizações e a favor da vida, vacinação em massa e pelo aumento do auxílio emergencial.

O movimento não contou com o apoio da Polícia Militar (PM), durante boa parte do ato, conforme verificado pela REVISTA CENARIUM. Apesar disso, não houve registro de confusão. Apenas agentes do Instituto de Mobilidade Urbana de Manaus (IMMU) estiveram no protesto para organizar o fluxo de trânsito.

Movimento contra o presidente Bolsonaro na tarde deste sábado, 19, em Manaus (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)