Mais de 600 casos de Covid-19 no AM estão sendo monitorados à distância

Nícolas Marreco – Da Revista Cenarium

MANAUS – O Governo do Amazonas liberou o atendimento à distância para pacientes em monitoramento com sintomas leves de Covid-19 ou que queiram tirar dúvidas sobre contaminação e precaução ao novo coronavírus (SARS-CoV-2). Nessa terça-feira (7), os números atualizados da pandemia no Amazonas subiram para 636 casos no total, com 104 novos casos. Manaus concentra 88% desses casos, somando 560 pacientes.

O interior do estado soma 76 casos confirmados, em 12 municípios. Até agora, foram notificados 40 óbitos, e 23 confirmados de Covid-19. As informações são Fundação de Vigilância em Saúde (FVS). O aplicativo Sasi, disponível nas lojas de aplicativos, serve como estratégia tanto para reforçar o isolamento social quanto para desafogar o sistema de saúde pública, em meio à crise de falta de equipamentos.

Ao baixar o app no smartphone, o código JUNTO é a chave de acesso para o cadastro pessoal do cidadão. Ao todo, segundo a diretora-presidente da FVS, Rosemary Pinto, são 30 médicos disponíveis para o teleatendimento. A preocupação das equipes é contornar as demandas crescentes de entradas de pacientes nos hospitais. Toda a capacidade de internação das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do estado, incluindo a rede privada, está em quase 95%.

“Hoje temos 256 pessoas internadas, em leitos clínicos e UTIs. Os confirmados da Covid-19 são 104 e pacientes suspeitos, 152. Eles estão apresentando quadros de síndrome respiratória grave, podendo tanto ser relacionada ao coronavírus quanto à Influenza A, B, metapneumovírus, adenovírus ou vírus sincicial respiratório. Esses circulam dentro do período sazonal de chuvas, próprios dessa época, e cursam com gravidade. Já tivemos mais de 500 casos desde novembro. Pode atrapalhar no processo de tratamento ao Covid-19”, informou Rosemary.

Fluxo de segregação

Para evitar um colapso do sistema público, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) apresentou um plano de gerenciamento que já fora implantando em janeiro deste ano. A ideia é referenciar um hospital no tratamento da Covid-19, como já feito com o HPS Delphina Aziz, e contar com hospitais e prontos-socorros secundários, concentrados no atendimento pelos leitos clínicos.

“A Susam organizou a rede com um plano de gabinete de crise para uma possível catástrofe, com consultoria com o instituto Sírio Libanês, proporcionando expertise na rotatividade de leitos. Implantamos um fluxo de segregação onde o paciente com síndrome gripal é encaminhado para um ambiente chamado sala rosa, apenas com leitos clínicos, com aporte de ventilador. Quem precisar de maior suporte, entramos com terapêuticas, no manejo esticado do paciente”, explicou a chefe de departamento de ações de saúde da capital, da Susam, Nayara Maksoud.

Dependendo do perfil do paciente, ele é deslocado dentro da classificação de risco para a unidade de referência. Para lidar com a falta de itens de saúde, desde Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) a respiradouros, a chefe de departamento ressaltou que a pasta faz um monitoramento diário de ocupação dos leitos junto com a necessidade do uso de cada respirador, conforme evolução sintomática de cada paciente, formando um painel de controle.

“A taxa (de capacidade) é alta, mas acreditamos que monitorando e na busca por novos respiradouros para chegar na cidade em tempo oportuno, conseguimos organizar o sistema. A vigilância ajuda a blindar a área da assistência, quando o mundo todo discute que a pandemia ataca principalmente esse sistema. Se as regras e medidas de vigilância forem cumpridas a risca pela população, conseguiremos um sistema organizado e com respostas mais rápidas”, orientou, lembrando a importância do aplicativo.

Unidades de apoio, como as Fundações Getúlio Vargas e Adriano Jorge, e outros prontos-socorros organizados para atenderem os casos e Covid-19 também fazem parte da rede pública. Atualmente, o HPS Delphina Aziz conta com 69 respiradouros médicos, o HPS 28 de Agosto com 14, o HPS Platão Araújo com seis e o HPS João Lúcio com três.

Distrito Industrial

Sobre as empresas e indústrias alocados no polo industrial que ainda estão em funcionamento, a diretora-presidente da FVS afirmou que há cerca de dez dias eles estão fazendo a vigilância sanitária junto com o Centro Estadual de Referência de Saúde do Trabalhador (Cerest). “As indústrias montaram um plano de contingência e estamos indo fiscalizar para ver se está sendo executado corretamente, temos praticamente tudo organizado”, declarou Rosemary, em live.

Indígenas e assistência no interior

Dentro dos confirmados de Covid-19 estão também três indígenas, situados no Alto Solimões, em Santo Antônio do Içá (a 878 km de Manaus). Rosemary explicou que medidas mais diretas e específicas partem da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde. Ela é a responsável por montar os Distritos Sanitários de Saúde Indígena (DSEI) nas comunidades e reservas.

“Cada DSEI elaborou seu plano de contingência. O objetivo maior é evitar que esses índios se movimentem e se exponham ao vírus. Eles serão encaminhados ao atendimento hospitalar, se necessário, com ambulâncias terrestres, aquáticas e UTIs aéreas para deslocação ao Delphina Aziz. Cada prefeitura é responsável por organizar as demandas, com os recursos de R$ 23,4 milhões enviados pelo Governo”, frisou Rosemary.

Cidades como Manacapuru, em que há crescimento exponencial do vírus – 42 casos –, uma ação conjunta entre as secretarias de Segurança Pública, Saúde e FVS foi montada para dar suporte ao município, na organização do fluxo urgência/emergência.

Números do coronavírus no Amazonas

Dos 636 casos que deram positivo, 465 estão em isolamento domiciliar, correspondendo a 73% do total. Essas pessoas não apresentaram agravamento da doença ao ponto de internação hospitalar, e estão em monitoramento por 14 dias. O número de 44 pacientes saiu do período de transmissibilidade da doença.

No interior, Manacapuru lidera os casos, seguidos de Itacoatiara, com nove casos, Santo Antônio do Içá, sete casos, Parintins, quatro casos, Iranduba e Tonantins, ambos com três casos, Careiro da Várzea e São Paulo de Olivença, ambos com dois casos, e Anori, Boca do Acre, Novo Airão e São Gabriel da Cachoeira com um caso. Em Manaus, dos pacientes confirmados nos hospitais, são 58 em leitos clínicos e 46 em UTIs.

Dos pacientes suspeitos, 111 em leitos clínicos e 41 em UTIs. De ontem para hoje, quatro óbitos foram notificados, somado às 40 mortes, e dez foram descartados. Sete continuam em investigação. A taxa de letalidade está em 3,62%.

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