Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
10 de maio de 2021

Dólar

Euro

Manaus
23oC  29oC
Acompanhe nossas redes sociais

Com informações da assessoria

A inauguração da Aldeia da Memória Indígena de Manaus, com o intuito de celebrar a presença e a importância dos povos para a formação cultural e social da capital amazonense, promete ser um marco histórico para as lideranças indígenas, na próxima segunda-feira, 19 de abril, dia em que se comemora o Dia do Índio.

Situada à praça Dom Pedro II – cemitério de ancestrais indígenas e local sagrado para os povos do Amazonas, a aldeia é fruto de um trabalho em coletivo da Fundação de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) com o Conselho Municipal de Cultura (Concultura). A Aldeia da Memória ficará situada no Centro da capital amazonense, no entorno do Paço Municipal, que também abriga o Museu da Cidade de Manaus.

Na tarde desta sexta-feira, 16, anciões e lideranças gravaram vídeos com falas que serão exibidas na inauguração, junto com apresentação de grupos musicais indígenas, ao ar livre, na praça que agora passa a ser o memorial oficial dos antepassados dos índios Tarumãs, Passés, Baniwas, Barés e Manaós.

Para o presidente do Concultura, Tenório Telles, a criação do memorial vem para facilitar esse processo de educação e acolhimento da sociedade quanto à existência e importância do cemitério indígena, e, para tanto, estão sendo desenvolvidos projetos com o intuito de aproximar a população de Manaus dessa história e memória. “Tudo começa com o reconhecimento oficial do território sagrado onde será criado o Memorial Indígena de Manaus”, enfatiza Telles.

Depoimentos dos indígenas

Lideranças Indígenas gravaram vídeos que serão apresentados durante o evento de inauguração, na segunda-feira, 19 (Oliveira Júnior/Manauscult)

Uma das falas gravadas, que será exibida na cerimônia inaugural, é a do aposentado da etnia Kokama, Carmelindo Moraes (Mindu), 82 anos, que mora em Manaus desde 1984, oriundo do município de São Paulo de Olivença; nascido em seringal. Filho de indígenas aldeados, trocou a vida de seringueiro, pescador e coletor pela de pedreiro na construção civil na metrópole, onde constituiu família e tem nove filhos e 14 netos.

Carmelindo diz sentir orgulho em saber que, no subsolo da praça, onde gravou sua fala para inauguração do memorial, estão sepultadas várias gerações de indígenas, os seus ancestrais. “Esse memorial é muito importante para nossa gente e vai servir, nem tanto para nós, mas para as novas gerações que vão ter o respeito de toda gente”, disse o ancião, citando que, até agora, só as autoridades, os grandes comerciantes são considerados os fundadores desta cidade, e que espera ver isso mudar no futuro.

Para representar os seus povos na ocasião, foram selecionados seis indígenas residentes em Manaus, tendo como motivação as suas histórias e trajetórias de sobrevivência, bem como a afirmação cultural em suas comunidades espalhadas por vários bairros da capital.

A dirigente da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), Marcivana Saterê-Maué, que representa 47 povos, ressalta a importância da criação do Memorial e o protagonismo dos indígenas, o que considera uma grande conquista. “Nosso grande problema na cidade foi sempre a invisibilidade, a negação de que Manaus tem suas raízes indígenas, que sua criação é a partir da presença dos europeus”, conta a líder, justificando que as falas dos indígenas, com destaque em uma inauguração, vem a ser um marco histórico, dando base para uma nova narrativa do processo civilizatório a partir de agora.

Um outro destaque do cerimonial de inauguração é a presença de uma mestre de cerimônias, indígena, a apurinã Jéssica Batista (28), bacharel em Direito pela UEA, nascida em Manaus e filha de pai da aldeia Talmiri, no município de Tapauá, e mãe da aldeia Jauarì, do município de Beruri.  Por essas razões, a manauara que foi indicada pela Copime para dar o tom de protagonismo em todo o processo de criação do Memorial, conforme explicou Marcivana.