7 de março de 2021

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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A morte do indígena Isac Tembé, aos 24 anos de idade, ocorrida na noite da última sexta-feira, 12, no interior do Pará, gerou revolta entre o povo Tembé. Policiais militares afirmam que o jovem reagiu com tiros a uma abordagem, já as lideranças da região contestam a versão e alegam excessos das autoridades.

“Mataram seu corpo e tentam matar sua memória quando atacam a índole de nosso jovem guerreiro e liderança exemplar. Isac era um cidadão honrado, professor de história, atuante na comunidade e na organização da juventude”, disse a Associação Indígena Tembé das aldeias Tawari e Zawaruhu.

Isac foi baleado no peito pelos policiais e de acordo com a corporação o indígena fugiu de abordagem enquanto furtava gados. No entanto, o povo Tembé contesta a afirmação e declara que a caçada é uma prática que faz parte da cultura dos indígenas.

Veja também: Indígenas apontam policiais militares como responsáveis pela morte de indígena no Pará

De acordo com o G1, o Ministério Público Federal (MPF) está apurando o caso e chegou a enviar ofícios à Polícia Militar (PM), à Polícia Federal (PF), à Polícia Civil (PC) e também à Fundação Nacional do Índio (Funai) pedindo informações sobre a morte do indígena.

Perda

O jovem líder deixa uma mulher grávida, prestes a dar à luz a uma criança Tembé, “uma garantia da continuidade deste povo originário”, diz a associação do povo Tembé, que emitiu uma nota de repúdio contra a versão dos policiais e exigiu perícia no local da morte.

Isac Tembé, aos 24 anos de idade, morreu na última sexta-feira (Reprodução/Redes Sociais)

O documento foi divulgado nessa segunda-feira, 15, pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e cobra uma resposta urgente sobre o caso. “Somos um povo da alegria e da festa, um povo pacífico, ordeiro e cumpridor da lei. Exigimos das autoridades uma apuração rápida, transparente e rigorosa, a fim de identificar e punir os responsáveis por esse crime”, salienta o manifesto.

A entidade reforça ainda que o território Tembé sofre diariamente invasões e ataques por parte de exploradores ilegais de madeira ou de fazendeiros que “insistem em manter a ocupação de partes da Terra Indígena Alto Rio Guamá, por meio de cabeças de gado e de outras atividades econômicas”.

Luta

“Não temos medo. A Constituição Federal protege nossos direitos e o Estado brasileiro precisa fazer cumprir o que manda a Lei maior. Apelamos às autoridades do Brasil e do mundo para que não nos deixem sós! Exigimos que Funai, MPF, Polícia Federal e todos os órgãos competentes venham até o nosso território e vejam o que passamos”, destaca a associação.

Uma reunião pública foi convocada na aldeia São Pedro, Terra Indígena Alto Rio Guamá. Na ocasião, o povo Tembé deve decidir o caminho da luta em busca de justiça. “Exigimos justiça! Punição dos assassinos e mandantes da morte de Isac Tembé”, finaliza a nota.

“A bala que lhe tirou a vida, com apenas 24 anos, atingiu a todos que desde tempos imemoriais habitamos essa terra e fazemos a permanente defesa da floresta e de nossos saberes tradicionais”, lamentam as lideranças Tembé. “Ele saiu para caçar depois de um dia de trabalho na construção de sua casinha para morar com sua família”, continuam.

Leia nota do Povo Tembé-Theneteraha