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23 de janeiro de 2022
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Carolina Givoni – Da Cenarium

MANAUS – A invasão de fabricantes de televisões asiáticas tem ‘encurralado’ o mercado brasileiro, que encerra mais uma linha de produção na capital amazonense. Com o anúncio da saída da Panasonic do Brasil no setor de TVs, especialistas entrevistados nesta quinta-feira, 12, analisam a mudança de estratégia empresarial e as consequências para a economia.

Cinco meses após o fechamento da fábrica da Sony em Manaus, a Panasonic afirma que apesar de descontinuar a produção de TVs, “acredita no potencial e no mercado brasileiro” e ressalta que continuará investindo e fomentando novas linhas e novos produtos.

Trabalhador atuando em linha de produção chinesa (Getty Images/Reprodução)

Para o presidente do Sindicato dos Economistas do Amazonas (Sindecon-AM), Marcus Evangelista, a saída da Panasonic nada tem a ver com interferências do governo federal. “Isso é uma estratégia de negócios como outra qualquer. O mercado de TVs foi invadido pelas indústrias coreanas e chinesas. Com isso, a margem de lucro diminuiu, assim como na Apple, Sony, bem como outras empresas”, disse inicialmente.

“O fato é uma estratégia da indústria para manter a lucratividade dos seus itens fabricados e como a TV ficou com uma margem muito pequena, eles acharam por bem tirar esse item de produção. Apesar da perda de postos, a indústria vai continuar montando outros produtos, como os micro-ondas”, pontua Evangelista.

Dinamismo e competitividade

A vice-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Denise Kassama, sustenta a mesma tese sobre a mudança do mercado em função das competições entre indústrias asiáticas e brasileiras, especialmente no Polo Industrial de Manaus (PIM).

“Os eletroeletrônicos produzidos no PIM eram destaque no mercado brasileiro. Hoje o mercado é bem mais dinâmico e competitivo. No início dos anos 2000, entraram as coreanas e mais recentemente as de tecnologia chinesa. Todas mais baratas que as japonesas, produzidas em escalas maiores e vendendo produtos a preços mais competitivos”, explica.

Funcionários da Panasonic que mantém outros segmentos em funcionamento na planta de Manaus (Ricardo Oliveira/Cenarium)

Consequências

Denise também afirma que toda redução gera consequências para economia e esperamos que este ato, seja de fato um remanejamento da estratégia empresarial e que a empresa substitua essas linhas por novos produtos, contribuindo com o processo de desenvolvimento do Amazonas.

“Se diminui as vendas, reduz a quantidade de impostos e o Estado arrecada menos. Se a arrecadação diminui, reduz a capacidade do governo em investimentos públicos. Então, se verificarmos, o prejuízo vai além dos produtos descontinuados, vai além dos postos de trabalho encerrados, atingindo fornecedores, governo e sociedade”, finaliza.

Fachada da antiga Sony em Manaus (Reprodução/Internet)

Permanência em Manaus

De acordo com o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, decisão da Panasonic ainda não coloca em xeque a permanência da fábrica em Manaus. “Não é uma decisão da empresa sobre Manaus, mas sim uma decisão voltada da empresa para toda uma atividade industrial no mundo. Já vimos a Philips, Toshiba e mais recentemente a Sony descontinuando linhas”, relembra.

“Infelizmente deve ter algum impacto na questão dos empregos. E o que nós resta agora é trabalhar muito para fortalecer a cadeia de insumos de produção para os produtos que ainda continuam sendo produzidos aqui em Manaus”, sentencia Périco.

Linha de produção em indústria coreana (Getty Images/Reprodução)

Sindicato

De acordo com a assessoria jurídica do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), as informações preliminares indicam apenas o encerramento das linhas de produção de TV, sem afetar os demais setores fabris.

“Quanto aos trabalhadores, alguns serão incorporados em outras linhas e cerca de 100 trabalhadores serão demitidos. O sindicato acompanhará os trabalhadores e garantirá que seus direitos sejam todos pagos”, disse nota enviada à CENARIUM.

Trabalhadores da Sony se reunindo em frente à antiga fábrica da companhia já fechada em Manaus (Sindmetal-AM/Reprodução)

Estratégia Global

Em nota, a Panasonic informa que irá descontinuar a fabricação de produtos de TV e Áudio residencial no Brasil, que representam duas das mais de dez unidades de negócio que a empresa opera, como máquinas de lavar, geladeiras, cuidados pessoas, baterias e soluções B2B.

“Essa decisão criará uma oportunidade para as outras frentes de negócio nas quais a Panasonic continua a crescer. A Panasonic acredita no potencial e no mercado brasileiro, e continuará investindo e fomentando novas linhas e novos produtos”, diz trecho da nota.

A empresa informa que a unidade situada em Manaus vai manter atividades, produzindo micro-ondas, produtos automotivos e componentes eletrônicos, áreas também de grande representatividade.

“São previstas 130 demissões até dezembro, 5% do número total de colaboradores. Além de Manaus, a marca tem Fábrica de Geladeiras e Máquinas de Lavar Roupa em Extrema (MG) e Pilhas em São José dos Campos (SP), além do escritório administrativo em São Paulo (SP)”, finaliza a nota.