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27 de outubro de 2021
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Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Articulado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE/AM), Josué Neto (PRTB), o plano político dos deputados estaduais para destituir o governador Wilson Lima (PSC) e seu vice, Carlos Almeida (PDT), em plena pandemia do Coronavírus e durante um ano eleitoral pegou mal junto ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), apontou a tradicional Coluna Radar da Revista Veja nesta quinta-feira, 7.

Josué Neto, que se diz aliado de Bolsonaro, saiu do Partido Social Democrático (PSD) e migrou para o partido do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, neste ano. A mudança partidária se deu, principalmente, porque o deputado é pré-candidato à Prefeitura de Manaus nas eleições de 2020. Sem provas ou defesa prévia, Josué recebeu uma denúncia de crime de responsabilidade contra o governador e seu vice, na semana passada, e deu andamento ao processo de impeachment dos dois.

O interesse eleitoral de Josué Neto bem como as falhas no rito processual de deposição dos dirigentes do governo do Amazonas foram levantados pela Revista Veja. De acordo com a publicação, a “avaliação de assessores e aliados do presidente Jair Bolsonaro é que o impeachment de Wilson Lima veio no momento errado e “sem crime de responsabilidade configurado”, o que, segundo a revista, “pegou mal” para o deputado bolsonarista e seu grupo na ALE/AM.

A denúncia foi apresentada pelo presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mário Vianna, que tem ligação política com deputados da oposição ao governo do Estado e foi protocolada cinco meses após a empresa da qual o médico tem sociedade sofrer redução financeira no contrato com o governo, o Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas (Icea).

Ainda de acordo com a Revista Veja, diversos interesses obscuros rondam o processo, como o fato de o próprio presidente da Assembleia Legislativa já ter se declarado candidato a prefeito de Manaus no pleito deste ano. Josué Neto foi procurado pela REVISTA CENARIUM, mas não atendeu as ligações.

Sentindo na carne

Atualmente, Jair Bolsonaro sofre pressão de impeachment pela oposição de parlamentares que ele possui no Congresso. Um dos principais motivos é o posicionamento desrespeitoso que o presidente vem tendo no combate à pandemia da Covid-19, que já matou mais de 8 mil pessoas no País, e que Bolsonaro classificou “gripezinha”.

Diferentemente do chefe do Executivo, no Amazonas, Jair Bolsonaro é contrário ao isolamento social por priorizar a circulação do livre comércio, alegando problemas irreversíveis na Economia, ato condenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O presidente da República não reconhece as recomendações da OMS.

Até esta quarta-feira, 6, pelo menos 29 pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro foram protocolados na Câmara dos Deputados. Mas apenas um deles foi apreciado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a quem compete fazer uma análise inicial de denúncias por crime de responsabilidade contra o chefe do Executivo federal. Esse único pedido foi recusado, uma vez que a denúncia era anônima, o que é vedado pelo regimento interno da Câmara Federal.