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10 de maio de 2021

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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – A interrupção da aplicação da primeira dose da vacina contra Covid-19 na capital amazonense levou o Amazonas a cair para o 10º lugar no ranking da imunização nacional. Por conta disso, o prefeito David Almeida (Avante) vai até Brasília na terça-feira, 4, articular estratégias para a Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) da Pandemia. O gestor e a secretária de Saúde de Manaus, Shádia Fraxe, foram convidados a prestar depoimentos na CPI.

A CPI foi instaurada no Senado na terça-feira, 27, e já havia recebido pelo menos 288 requerimentos – feitos pelos senadores – de pessoas que poderão ser ouvidas na comissão. O relator da Comissão, Renan Calheiros, finalizou na madrugada desta quinta-feira, 29, o plano de trabalho que foi anunciado pelo presidente da CPI, o senador Omar Aziz. (PSD-AM)

Shádia Fraxe é uma das pessoas do alto escalão da administração municipal que foram apontadas como responsáveis pela escândalo dos “fura-filas” da vacinação e pela imunização de correligionários que não estavam inclusos no grupo prioritário. Com a repercussão nacional do caso, a Justiça Federal entendeu que a própria secretária não tinha direito a receber a dose e a proibiu de receber a segunda dose do imunizante.

Prefeitura estocou oxigênio

Em um vídeo que circula na imprensa local – gravado após a crise do oxigênio em Manaus – o prefeito David Almeida afirma que a prefeitura estocou cilindros de oxigênio nas Unidades de Saúde da capital, ao saber que faltaria o insumo em meados de janeiro, mês do agravamento da pandemia no Amazonas.

“Quando a prefeitura soube que poderia haver a falta de oxigênio, nós abastecemos nosso tambor??? por doze dias, a nossa maternidade também por doze dias, a Fundação Dr Thomas, e no dia, acho que no dia 14, quarta-feira, à tarde, nós emprestamos nosso estoque de 10 dias” afirma ele no vídeo, fazendo alusão ao fato de que a prefeitura soube com antecedência que faltaria oxigênio na capital amazonense.

Veja o vídeo

David Almeida afirma que prefeitura soube com antecedência que poderia faltar oxigênio em Manaus (Reprodução/Portal Marcos Santos)

Pedido de prisão

As suspeitas de fraude na vacinação contra Covid-19 em Manaus levaram o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) a pedir a prisão preventiva do prefeito de Manaus, David Almeida, da secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe, e de outras 22 pessoas, incluindo servidores municipais, empresários e médicos suspeitos de terem furado a fila da imunização.

A promotoria pediu ainda o afastamento dos cargo público de todos os envolvidos e medidas de busca e apreensão de celulares do prefeito, da secretária, da subsecretária de Saúde e dos outros suspeitos de envolvimento.
A lista divulgada pela prefeitura da capital, após o início da imunização, mostrava que as médicas Gabrielle e Isabelle Lins receberam a vacina nos primeiros dias de campanha sem estarem efetivamente na linha de frente do sistema de saúde.

Além das duas médicas, outros oito profissionais teriam sido admitidos de maneira irregular, pois foram contratados não para o cargo de “médicos”, mas para o de “gerente de projeto”. Os médicos foram nomeados dias 18 e 19 de janeiro, véspera ou data em que começou a vacinação em Manaus, com remuneração de R$ 9.000, cerca R$ 2.000 a mais do que o valor pago aos demais médicos da rede municipal que atuam no combate à Covid-19.

Repercussão nacional

Na terça-feira, 27, o Correio Braziliense antecipou que o nome de Almeida está na pré-lista de eventuais convocados pelo colegiado para serem ouvidos como testemunha. Ainda em janeiro, o prefeito suspendeu o atendimento nos serviços de urgência e emergência de 40 mil servidores da prefeitura, medida que pode ter contribuído para agravar os casos de servidores e dependentes deles infectados pelo novo coronavírus, no período de janeiro a fevereiro deste ano. A informação dada em primeira mão pela REVISTA CENARIUM também foi repercutida pelo Correio Braziliense.

A ausência do plano de saúde para os servidores piorou o atendimento nos hospitais públicos, que registraram filas para as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) com mais de 400 pessoas em espera nos primeiros dois meses do ano, levando a Secretaria de Estado de Saúde (SES) a transferir pacientes para outros Estados.