23 de novembro de 2020

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Náferson Cruz – Da Revista Cenarium

MANAUS – Especialista em direito tributário, escrivã e há cinco anos atuando como delegada da ‘Mulher’, Débora Mafra (PSC), agora quer espraiar seus feitos com projetos sociais voltados às famílias carentes e vulneráveis. A ‘delegada’ como costuma ser chamada, postula nas eleições deste ano, uma vaga na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Na última semana, ela esteve na redação da REVISTA CENARIUM e conversou sobre temas como seus planos políticos, os desafios enfrentados na esfera policial e a dedicação pela causa humanitária. Nascida no interior de São Paulo, Débora Mafra, há 28 anos radicada em Manaus, além de projetos sociais, tem em sua bandeira de luta o combate à violência doméstica e, os números provam a sua dedicação, à frente da Delegacia da Mulher chegou a encaminhar, em grandes proporções, 700 inquéritos policiais por mês. 

Revista Cenarium – Sua trajetória profissional é marcada por grandes feitos, são esses preceitos que você quer empregar com parlamentar?

Débora Mafra – Sim, fui a voz para as mulheres em situação de violência doméstica, agora eu posso ampliar, não só na somente em casos de violência doméstica, mas de um modo geral como na saúde, com a geração de emprego. Também quero contar com apoio da classe masculina, porque eu percebi trabalhando com mulheres que se você não abraça a família toda, a mulher não é feliz e meu sonho é fazer as mulheres felizes. Se você tirar a mulher de uma casa, a família acaba então se você quer alegrar uma mulher, agrade a sua família.

Dentre as propostas, Débora Mafra destaca os projetos voltados para a área social. (Revista Cenarium/Ricardo Oliveira)

Revista Cenarium – A senhora tem percorrido inúmeros bairros de Manaus e o que lhe chamou mais atenção?

Débora Mafra – Tenho ido em várias comunidades e o interessante é que há diversos problemas a serem sanados, mas o que os moradores mais listam como anseio é uma quadra de esporte. Eles querem poder ir a uma quadra, onde as crianças possam brincar e os adolescentes desenvolverem suas atividades, assim como a terceira idade. Achei interessante a carência de lazer nos bairros. Em seguida, eles pedem a instalação de Unidade Básica de Saúde (UBS), principalmente, que essas unidades atendam qualquer morador de qualquer área (local) da cidade, pois eles dizem que o atendimento nas unidades, segundo os moradores é feito sob jurisdição da área, ou seja, a pessoa vai até um posto de saúde, mas se ela não mora perto, então não pode ser atendida, isso é inadmissível diante de toda situação que estamos enfrentando. A segurança também é outro ponto destacado pelos moradores.

Revista Cenarium – A sua atuação como delegada de polícia pode contribuir para o seu melhor desempenho na câmara dos vereadores?

Débora Mafra – E muito, pois o delegado de polícia também é gestor, ele administra o quadro pessoal da delegacia, do patrimônio, dos inquéritos, das investigações e do atendimento ao serviço público. Então, eu acho que o delegado de polícia é uma pessoa altamente capacitada para estar em qualquer posto político. Chegando a câmara de vereadores, sei que hoje eu tenho condições de estar ali e de fazer frente, pois sou especializada em direito tributário para fiscalizar também, então às vezes na vida da gente, Deus nos coloca em algumas situações para que lá na frente tenhamos a compreensão do que está reservado para nós. Isso aconteceu comigo, sempre atendi o público muito bem porque eu acho que todo o ser humano merece respeito, seja ele da classe superior ou da classe inferior, sou servidora pública.

Revista Cenarium – Isso quer dizer que terá o seu gabinete aberto e destravado para o público?

Débora Mafra – Enquanto vereadora se caso eleita, eu quero continuar o mesmo trabalho, gabinete aberto com atendimento ao público, porque como eu falei, eu não achava que quadra de esporte seria prioridade, eu pensaria em outra coisa, mas você ouvindo a comunidade é o melhor que você vai desenvolver para levar a eles, isto é, elaborar projetos em conformidade a necessidade básica da comunidade, não tem presente melhor do que você ganhar aquilo que você precisa.

Candidata expõe proposta para a Guarda Municipal. (Revista Cenarium/Ricardo Oliveira)

Revista Cenarium – A senhora é da área da segurança pública, qual a sua concepção sobre o tema e o que poderia ser feito para proporcionar tranquilidade aos moradores?

Débora Mafra – A segurança é de competência do Estado, mas o município tem a guarda municipal, que pelo número de habitantes, conforme a Constituição Federal, já deveria atuar armada, um dos meus projetos é que essa Guarda seja armada. Outro passo fundamental é a realização de concursos públicos para aumentar o efetivo, principalmente nos prédios públicos em convênio com a polícia militar. A atuação da guarda armada também pode ser estendida para as unidades escolares do município, isso ajuda muito a segurança, porque a segurança é um item muito caro e, dessa maneira, unificando os poderes executivos estadual e municipal,  teremos ações preventivas, porque os prédios públicos com  guarda armada e a Polícia Militar fazendo sua ronda diária vai melhora muito a segurança.

Revista Cenarium – Grande parte dos manauenses lhe conhece como ‘delegada da mulher’, que projeto a senhora pretende aplicar na prática e que faz jus a esse epíteto conquistado ao longo de sua carreira?

Débora Mafra – Penso muito em emprego, em abrigo para mulheres, nós não temos em Manaus um abrigo para mulheres em estado de vulnerabilidade social, que é diferente de abrigo para mulheres em estado de violência doméstica, que sofreram violência doméstica. O Estado proporciona o abrigo para essas mulheres que foram vítimas de violência. Entretanto, vou lutar para que a prefeitura implante o meu projeto para as causas de vulnerabilidade social, aquelas mulheres que estão na rua, que chegam a Manaus e não tem para onde ir, acabam dormindo na frente dos hospitais. Esse projeto ajudará muito a sociedade a não deixar essas mulheres passando fome, muito menos seus filhos em perigo de vida.

Revista Cenarium – No início da entrevista a senhora fez um breve comentário sobre a terceira idade, esta temática está inserida na sua causa ou proposta de campanha?

Débora Mafra – A terceira idade hoje está crescendo, atualmente são 15 milhões de idosos em todo o País e, geralmente, eles ficam com alguém que presta assistência a eles, porém, às vezes é essa mesma pessoa que é seu agressor. Então, hoje é muito difícil lidar com essa questão porque se você tira o agressor do lar, não tem quem dê aos idosos um copo com água. Em minha opinião, temos que elaborar um projeto de abrigo para a terceira idade, para tirar esse idoso do lar onde ele sofre com a violência doméstica, tirando das mãos desse agressor, trazendo para ele uma qualidade de vida. Vejo isso com uma necessidade muito grande, eu enquanto delegada de polícia, quantas e quantas vezes encontrei pessoas da terceira idade numa situação assim devastadora, um ser humano que tanto contribuiu para nós vivendo daquela maneira, jogado numa rede sem uma alimentação adequada. Portanto, devemos tomar a iniciativa com bons projetos é dessa forma que temos que olhar pelos vulneráveis.

Débora Mafra diz que atuará na parlamento municipal com gabinete ‘destravado’. (Revista Cenarium/Ricardo Oliveira)

Revista Cenarium – Como a senhora avalia a atual gestão municipal?

Débora Mafra – É difícil avaliar hoje qualquer governo e prefeitura pela situação que nos encontramos em consequência da Covid-19. O gestor pode estar com boas intensões, querendo fazer alguma coisa, mas surge a tempestade que vem e leva tudo, foi o que aconteceu no Brasil e no Mundo, então, hoje nós temos dificuldades para avaliar qualquer governo ou prefeitura e qualquer situação, porque é uma doença que apareceu e que continua ceifando vidas. Há gestor que ficou desesperado porque tudo tem que ter um orçamento antecipado e planejado, porém a Covid-19 chegou de surpresa.

Revista Cenarium – Em que se distingue a Débora Mafra para os demais postulantes ao cargo?

Débora Mafra – Fui dona de casa, professora, escrivã de polícia e, logo depois, passei a atuar como delegada, superei vários obstáculos e, hoje, estou vindo como candidata a vereadora abrindo mão do salário de parlamentar e continuarei somente com o salário de delegada. Mas quero servir o povo, onde ele estiver também estarei é ali que eu quero estar, sempre fui assim, atuarei com “gabinete aberto” pensando nos vulneráveis e em projetos para atender a comunidade, porque nossa cidade é carente de várias coisas. Vale a pena acreditar no ser humano, acreditar em Deus acima de tudo e lutar pelo bem comum, é com essa missão que eu venho. Como trabalhei na delegacia da mulher quero fazer a diferença na política, assim como fiz na polícia. Minha profissão não é política, mas delegada de polícia, entretanto, o que eu puder fazer para fiscalizar e se estiver ao meu alcance eu vou fazer, tenho uma dívida muito grande com a capital amazonense, amo Manaus e quero daqui a quatro anos ver tudo diferente, ver as pessoas mais felizes e falando que estes últimos quatros anos que passaram foram os melhores que tivemos em nossa cidade.

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