21 de outubro de 2020

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Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Com apenas 19 anos, Amom Mendel Lins Filho (Podemos, 19.111) é um dos candidatos a vereador mais jovens de Manaus no pleito deste ano. Mas um detalhe chama atenção, sua voz firme e suas ideias de pensamento nada tem a ver com as que estamos acostumados. E, ao que parece, ser neto de desembargador não lhe é uma vantagem.

Em entrevista exclusiva à REVISTA CENARIUM, na última sexta-feira, 9, Amom falou dos desejos para Manaus sem precisar atacar a atual gestão de Arthur Neto. Rico em propostas, Amom, que é natural de Recife, em PE, mas mora em Manaus desde os cinco anos, apresentou diversas soluções para saúde, mobilidade urbana e, principalmente, para o tema que parece ser o seu pilar principal, a educação.

“Sou voluntário há cerca de sete anos em várias instituições, como o meu trabalho na Fundação Wikimedia, onde comecei escrevendo artigos para duas doenças que eu tenho que são retocolite ulcerativa [inflamação no trato digestivo] e a tireoidite de Hashimoto [inflamação na tireoide] e, como levei dois anos para ser diagnosticado, eu não queria que outras pessoas passassem o mesmo tempo. A melhor coisa é poder ajudar as pessoas por meio do conhecimento”, completa.

Candidato visitou a redação da REVISTA CENARIUM na última sexta-feira, 9, e falou sobre suas propostas (Ricardo Oliveira/ Revista Cenarium)

Cursando Direito na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Amom é ainda empresário, escritor, tradutor e presidente do Podemos Jovem e ainda voluntário da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ele, a vontade de entrar para a política, é devido ao fato de que os atuais vereadores não são presentes como deveriam. “Isso é o que mais me incomoda”.

“O vereador tem três papéis: ele cria e edita leis, ele fiscaliza e representa. Coisa que eu não vejo outros vereadores de mandatos fazendo que é ter esse contato direto com o eleitor. Papel do vereador não é só tapar buraco ou prometer um metrô. Estou apresentando projetos viáveis”, ressalta.

Embora seja neto do desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Domingos Chalub, e enteado do presidente do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE/AM), Mario de Mello, Amom é um jovem simples que parece não se deslumbrar com isso.

Ao ser questionado sobre influências políticas, o jovem dispara. “Não tenho político na família. Tenho parentes em determinados cargos públicos, mas ser neto de desembargador não me traz vantagens. Acho que não é isso que carrega a minha campanha. Sendo candidato, é óbvio que eu procuro pessoas conhecidas em Manaus, pessoas que saibam conversar que tenham sintonia de ideias comigo, isso é óbvio. Como todo político, procuro apoio”.

Na área da saúde, uma das questões que Amom apresenta é o cuidado em relação à distribuição de medicamentos em Unidades Básicas de Saúde (UBSs). “Eu mesmo uso um medicamento chamado azatioprina e que não tinha em nenhuma UBS. Aliás, os atendentes achavam que tinha e, quando iam ver, não sabiam e me mandavam para outra unidade. Espera aí: não se tem um sistema que catalogue tudo isso? E olha que a azatioprina não é cara”, disse.

Sobre a sua campanha, Amom explica que há uma nova forma de fazer campanha que pode ser voltada ao meio virtual. “Tenho um exército de pessoas que me apoia nas redes sociais. Temos o modo físico, adesivos em carros, mas estamos focando nas redes sociais”.

Principal aposta na candidatura de Amom Mandel é em relação a assuntos voltados para a educação por meio da tecnologia (Ricardo Oliveira/ Revista Cenarium)

Entre as suas propostas, uma melhoria mais uma vez tecnológica para a questão da mobilidade urbana é sobre o cuidado em relação aos ônibus do transporte público.

“Precisamos de dispositivos inteligentes onde as pessoas saibam exatamente onde está seu ônibus, por exemplo, mas sem parecer como os que temos hoje, que fecham do nada e não acompanham em tempo real. Mas ainda tem a preocupação das calçadas. Para se ter ideia, não temos calçadas na área mais nobre, que é o bairro do Adrianópolis, que tem o maior IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] de Manaus. Isso me preocupa”, explica Amom.

Ainda no campo da educação, um projeto chama atenção. Ao convocar alunos do curso de educação física que precisam estar inseridos no mercado de trabalho, por meio de uma parceria público-privada com academias e escolas particulares, essas academias e escolas ‘entram’ com educadores e, consequentemente, têm seus impostos reduzidos.

“Quadras não podem ficar abandonadas e virarem lixões ou pontos de drogas. Podemos levar profissionais para essas quadras nesse projeto intitulado ‘Amadeu Teixeira’. Além de usar espaços abandonados, vamos promover saúde, reduzindo doenças cardíacas e obesidade, por exemplo. E reduzindo essas doenças, os hospitais e unidades de saúde não ficam lotadas. É uma cadeia”, explica o candidato.

Por fim, sobre a ligação com presidente Bolsonaro e outros políticos, Amom Mandel Filho disse que busca não levantar barreiras para que isso não atrapalhe a relação com os seus eleitores. “Tem coisas que eu concordo com o Bolsonaro como reduzir o tamanho da máquina pública, ou o excesso de burocracia, mas há outras que eu sou completamente contra como no caso do uso excessivo de agrotóxico e o desmonte na questão ambiental. Por isso, não dá para ter uma barreira”.

“Além disso, a Tábata Amaral é uma inspiração, pois é uma cientista política, astrofísica formada em Harvard, nos EUA, congressista e ativista pela educação brasileira. Filiada ao Partido Democrático Trabalhista, foi uma das deputadas federais mais votadas em São Paulo e no Brasil”.

“Meu nome é Amom. Sou voluntário por levar conhecimento e melhorar as pessoas por meio da tecnologia por mais de sete anos. Sou um eleitor como você, que votava em alguém e quatro anos depois tinha uma decepção. Aceitei esse desafio e estou me propondo a ajudar. Sou presidente da Ala Jovem do partido Podemos e trago a mentalidade de que precisamos representar, precisamos unir a inquietação da juventude com a experiência da boa política e, desta forma, conseguirmos mudar Manaus, o Estado, o País e o Mundo”.

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