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2 de dezembro de 2021
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Com informações do Infoglobo

RIO – Réu pelos homicídios da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Gomes, o sargento Ronnie Lessa movimentou pouco mais de R$ 630 mil com transações envolvendo armas em um período de cinco anos, entre janeiro de 2014 e dezembro de 2018. A informação consta na denúncia feita pela Força-Tarefa do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/FTMA) do  Ministério Público do Rio (MP-RJ) contra o policial militar e a esposa dele, Elaine Figueiredo Lessa, pelo crime de lavagem de dinheiro. O casal, que já se encontrava atrás das grades, teve nova prisão decretada pela 1ª Vara Criminal Especializada, que aceitou a denúncia dos promotores. Marielle e Anderson foram assassinados no dia 14 de março de 2018.

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O documento obtido pelo GLOBO, assinado por oito integrantes do Gaeco, traz detalhes sobre as operações financeiras de Lessa. Os promotores citam uma “comunicação suspeita” entregue pela empresa PayPal, usada para transferências e pagamentos eletrônicos, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O informe, ainda de acordo com a denúncia, apontava “inúmeras transações realizadas” pelo sargento, “versando sobre a compra de produtos e acessórios relacionados a armas de pressão (airsoft) que, segundo o próprio comunicante, podem sofrer modificações para utilização em armas de fogo”.

O MP-RJ afirma, então, que uma análise feita pelo Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) da Polícia Civil confirmou que Lessa movimentou, durante o período de cinco anos, “a quantia de R$ 630.064,36, utilizados na compra de acessórios utilizados para a montagem de armas de fogo”. O montante considera valores que passaram por três diferentes contas no PayPal: uma no nome do próprio sargento, outra na de Elaine e uma terceira no nome da mãe dela, sogra de Lessa, cujo nome não aparece entre os denunciados pelo Gaeco.

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A varredura conduzida pelo LAB-LD constatou que as três contas “foram identificadas com o mesmo perfil transacional”. O laudo elaborado pelos especialistas chegou a essa conclusão “por uma combinação de instrumentos financeiros, endereços físicos, endereços de e-mail semelhantes e cookies de computador”. No trecho anexado à denúncia do MP-RJ, os policiais civis relatam ainda que, segundo o próprio PayPal, “acredita-se que as contas eram controladas pelo analisado Ronie Lessa, pois foram utilizadas de maneira semelhante”.

Em seguida, os promotores recordam os 117 fuzis M16 incompletos apreendidos na casa de Alexandre Motta de Souza em março de 2019. Amigo pessoal de Ronnie, que seria o dono do armamento, ele também figura entre os denunciados pelo MP-RJ por lavagem de dinheiro. “O volume financeiro empregado por Ronnie Lessa para a aquisição de acessórios voltados à montagem de armas de fogo de uso restrito, aliado ao quantitativo de armamentos apreendidos na residência de Alexandre Motta de Souza, não deixa dúvidas acerca da destinação mercantil destes armamentos, tratando-se seguramente de uma das fontes de renda de origem criminosa que sustentava o luxuoso padrão de vida ostentado por Ronnie Lessa”, asseguram os membros do Gaeco.