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28 de janeiro de 2022
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Ana Pastana – Da Revista Cenarium

MANAUS – O Amazonas alcançou a marca de 202.972 casos confirmados por Covid-19, segundo dados recentes da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM). Nesta terça-feira, 5, o doutorando em Biologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Lucas Ferrante, que em julho passado anunciou que o Amazonas teria uma segunda onda de casos, alertou sobre a possibilidade de reinfecções.

De acordo com Ferrante, este novo pico de casos será pior do que o primeiro. “Nós não vemos Manaus saindo da pandemia se não for feito um ‘lockdown’ de maneira adequada e uma vacinação em massa da população. Nós já estamos prevendo uma terceira onda daqui alguns meses”, disse o cientista.

Ainda de acordo com Ferrante, é importante ter cuidado para casos de reinfecções. “O único teste que de fato mostra o resultado é o RT-PCR, porque ele testa o material genético do vírus. Então muitas pessoas fizeram o teste rápido, tiveram um falso positivo, acharam que tiveram contato com o coronavírus, quando na verdade ela teve contato com o vírus irmão e não com o SARS-CoV-2”, disse Ferrante.

Segundo a diretora-presidente da Fundação, Rosemary Costa Pinto, o Estado saiu da fase vermelha para a fase roxa. A informação foi divulgada nessa segunda-feira, 4, durante reunião entre representantes do Ministério da Saúde e do Governo do Estado.

“A nossa análise de risco está apontando que nós estamos num nível muito alto, de muito alto risco, portanto, nós saímos da fase vermelha e estamos na fase roxa. Nós tivemos um crescimento entre novembro e dezembro de 120% do número de casos em Manaus, onde nós passamos de 1.573 casos pra 3.452 casos (…) hoje nós temos uma média móvel de 700 casos novos todos os dias”, disse Rosemary.

Vacina

Existem três negociações sendo realizadas para a aquisição da vacina, com o Instituto Butantan, Pfizer e AstraZeneca. Todas estão na terceira fase de testes e devem passar pela avaliação da Agência de Vigilância em Saúde (Anvisa).

Recentemente, o governador do Amazonas, Wilson Lima, ressaltou que é necessária a implementação de um plano com prazo mais curto de distribuição de lotes das vacinas contra a Covid-19 para o Amazonas, devido à logística territorial mais complexa do Estado.

O plano prevê quatro grupos prioritários, que somam 50 milhões de pessoas, o que vai demandar 108,3 milhões de doses de vacina, já incluindo 5% de perdas, uma vez que cada pessoa deve tomar duas doses, com um intervalo de 14 dias entre a primeira e a segunda injeção, segundo especialistas e autoridades de saúde.

Imunidade de rebanho

Em dezembro de 2020, um estudo publicado pela Revista Science, apontou que 76% da população de Manaus tinha anticorpos contra a Covid-19. A imunidade de rebanho é atingida, de acordo com pesquisadores, quando 66% dos habitantes de uma região, expostas ao vírus nas mesmas condições, já foi infectada.

Para o cientista Lucas Ferrante, a população nunca obteve essa imunidade. “Nunca chegamos nem perto da imunidade de rebanho, isso foi uma mentira. É algo impossível chegar à imunidade natural ao coronavírus, com essa falsa ilusão, as pessoas foram para a rua e se contaminaram”, completou.

Hospitais

Nos primeiros dias de 2021, hospitais particulares de Manaus comunicaram em redes sociais que estavam lotados. Isso provoca um sufocamento para a rede pública que também estão com quase 100% dos leitos de UTI para Covid-19 ocupados.

“Todas as unidades privadas estão com seus leitos clínicos e de UTI ocupados. Isso provoca uma pressão adicional sobre o sistema público, uma vez que esses pacientes que não têm acesso em hospitais particulares vão para os públicos”, explica Rosemary Pinto.

Já na rede pública, câmaras frigoríficas foram reinstaladas para dar suporte aos hospitais no acondicionamento de vítimas da Covid-19. As câmaras foram instaladas no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, HPSs João Lúcio e Platão Araújo.

O secretário de Estado de Saúde, Marcellus Campêlo, afirmou que a instalação da estrutura temporária estava prevista na quarta fase do Plano de Contingência para o Recrudescimento da Covid-19, relacionada à tendência de aumento do número de óbitos por Covid-19.