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23 de junho de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – A cantora e compositora amazonense Gabi Farias, de 24 anos, lançou nesta semana uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar fundos para gravação do seu primeiro álbum da carreira, que vai se chamar “Enchente”. A meta é conseguir a verba até a primeira quinzena de julho para iniciar a produção do trabalho.

À REVISTA CENARIUM, Gabi Farias disse, neste sábado, 5, que a ideia principal, em 2019, era que “Enchente” fosse uma complementação do EP “Vazante”, o primeiro trabalho musical dela em carreira solo, também em formato de EP, que é um projeto musical, em poucas faixas, mais curto que um álbum. Quando a pandemia da Covid-19 se instalou no Amazonas, conta Gabi, o processo de construção do EP foi afetado.

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“Paramos tudo. Fiquei um ano tentando me encontrar nesse processo de ser artista no meio de todo este mundo novo, quase que inteiramente virtual que a gente vive e que o nosso trabalho tenta sobreviver. Foi todo um processo para decidir o que eu queria e se eu ainda iria gravar alguma coisa”, explicou Gabi.

Segundo a artista, quando ela começou a pensar na campanha, ainda pensava em arrecadar dinheiro para um EP, mas ao longo do processo de escolha e amadurecimento de ideias, ela decidiu optar pelo álbum. “Por que não gravar um álbum? Fazer um álbum é o sonho de qualquer artista. Quando a gente consegue trabalhar e lançar um single já é incrível, mas um álbum tem um peso maior, porque é por meio dele que a gente apresenta uma história, um conceito, uma verdade e um discurso. É mais trabalhoso, mas muito mais prazeroso”, afirmou.

O projeto

O álbum conta com a participação dos produtores Viktor Judah, Guilherme Bontes e André Ethos. “Eles são incríveis e conversam muito bem com a sonoridade que eu já apresento e quero apresentar nesse álbum. Para mim, está sendo uma experiência incrível produzir com eles. A gente vai continuar produzindo num formato mais virtual, digital, ou seja, a maioria das coisas que temos colocado dentro dos arranjos podem ser feitas por meio de instrumentos virtuais, mas desta vez eu também tenho alguns convidados que, por enquanto, ainda deixarei em segredo essas colaborações”, esclareceu.

Com exceção de uma canção, todas as dez músicas que estarão disponíveis no álbum são de produção autoral da cantora. “’Enchente’ é uma consequência e uma insistência do que eu venho fazendo. Consequência porque a ideia desse trabalho já existia, que ficou guardado um tempo e ressurge de uma maneira ainda mais bonita. ‘Enchente’, para mim, é a união de todas experiências que eu passei ao longo desse tempo todo escrevendo de novo, colaborando com outras pessoas, conhecendo novos artistas, me tornando uma nova artista e acaba que, dentro desse contexto do álbum, ‘Enchente’ é o meu transbordar”, concluiu.

A campanha

A campanha de financiamento coletivo iniciou no dia 1º de junho deste ano com o objetivo de arrecadar o valor de R$ 15.300, que vai custear despesas para a gravação, equipamentos, divulgação e todo o cenário que envolve a construção de um videoclipe. De acordo com a cantora, mesmo que a produção seja independente, gravar um trabalho é sempre muito custoso e é necessário de preparação do profissional.

Para ajudar a cantora na gravação do álbum “Enchente”, basta acessar o link e doar qualquer quantia em dinheiro. Até a publicação desta matéria, a artista conseguiu arrecadar 29% do total do financiamento (R$ 4.580).

“Sobre esses primeiros dias, estou muito surpresa e muito grata também. Fazer uma campanha de financiamento coletivo é bem difícil. Montar, se preparar e criar toda uma estrutura de pessoas que tu podes confiar para estarem te impulsionando. Eu tinha uma noção de que seria um bom começo, mas fiquei bem surpresa. A campanha vai fazer uma semana e eu já recebi quase 30% da meta”, declarou.

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A artista é natural de Manaus, mas durante a infância e a juventude morou no município de Itacoatiara (a 270 quilômetros da capital). Em 2017, a jovem começou a carreira musical como integrante da Orquestra Puxirum e, em 2019, lançou o primeiro trabalho em carreira solo: o EP “Vazante”. Além de cantora, Gabi Farias estudou Música na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e é instrumentista, pesquisadora e professora na área.

Em meio à pandemia do novo coronavírus, que travou o trabalho de artistas do mundo inteiro por conta do risco de contaminação da doença, Gabi Farias lançou dois clipes: “Sopro” e “Só”, que fazem parte do projeto “Vazante”, mostrando uma identidade autoral independente da nova Música Popular Brasileira (MPB). Os videoclipes estão disponíveis no Youtube.