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16 de setembro de 2021
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Via Brasília – Da Cenarium

Radicalização sem freio

Enquanto a cúpula do Congresso acompanha a radicalização dos bolsonaristas e segue renovando “notas de repúdio” e falas “em defesa da democracia”, o presidente Jair Bolsonaro incendeia o País e avança a cada dia nos seus propósitos golpistas. Após seguir com atos que, escancaradamente, denotam campanha política antecipada e com dinheiro público – o que configura crime que pode levar à cassação – os apoiadores do presidente não arredaram pé de Brasília e seguem tocando o terror. Ontem, houve tentativas de invasão ao Congresso Nacional, contidas pela Polícia Legislativa, mas os avanços dos caminhões dos ruralistas radicais ao STF seguiram por toda a noite. O Batalhão de Choque da PM de Brasília foi acionado.

Tiro de fuzil no pé

De olho no movimento dos caminhoneiros bolsonaristas, que atinge nesta manhã 15 Estados, líderes partidários avaliam que os desdobramentos da paralisação nas estradas têm “potencial explosivo”. Baleia Rossi, presidente do MDB, considerou que a ação nas rodovias é um “tiro de fuzil no pé do próprio governo”. Vice-presidente da Câmara, o deputado federal amazonense, Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou que a mobilização só agrava a crise institucional e prejudica o próprio presidente da República.

Crimes em série

Jair Bolsonaro vem fazendo, desde ontem, um esforço para se desvincular dos protestos nas estradas: mandou vídeo e áudio pedindo a desmobilização. A estratégia é se eximir de responsabilidade e evitar acumular mais um crime. Reflexo claro de que é o próprio Bolsonaro quem estimula o bloqueio do País é que governistas e canais bolsonaristas seguem estimulando a arruaça. Não há dúvidas de governo não está empenhado em acabar com as paralisações. Nas redes sociais, críticos de Bolsonaro ironizam que nem os caminhoneiros – movidos por palavras de ordem enviadas pelo WhatsApp – estão acreditando nos últimos áudios do presidente.

Nero

Praticando crimes em série, Bolsonaro julga que alguns milhares de pessoas na rua – longe de serem a maioria dos brasileiros, respaldam na sua escalada golpista, ainda mais diante de um Congresso em sua maioria acovardado e uma parcela da elite conivente. Resta ao Supremo Tribunal Federal e a setores do Judiciário a resistência às investidas autoritárias do bolsonarismo. Nos bastidores, existe uma preocupação de parlamentares, integrantes do STF e mesmo das Forças Armadas de que, semeado o caos, Bolsonaro use as manifestações dos caminhoneiros para decretar a tal Garantia da Lei e da Ordem (GLO), na prática, intervenção militar. Até quando assistiremos a “Nero pôr fogo em Roma”?