Participe do nosso grupo no Whatsapp Participe do nosso grupo no Telegram
22 de janeiro de 2022
Ainda não é assinante
Cenarium? Assine já!
ASSINE

Luís Henrique Oliveira – Da Revista Cenarium

MANAUS – Após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia de Covid-19 no ano passado, em virtude do surgimento do novo Coronavírus que resultou na morte de milhares de pessoas no mundo, o ano de 2021 foi muito esperado por toda a população dos cinco continentes. Não somente esperado, a chegada deste ano foi vista como sinal de esperança, principalmente, pela busca de imunizantes que pudessem bloquear infecções pelo vírus.

Na Amazônia não foi diferente, muito pelo contrário. No meio da floresta, a chegada do novo coronavírus fez a economia decair com o fechamento do comércio resultando em desemprego e, pior, atingiu populações tradicionais e devastou dezenas de povos indígenas.

Janeiro

Em meados de janeiro, o País já contabilizava 226.000 mortos e era o segundo do mundo, depois dos Estados Unidos, com o maior número de vítimas fatais pela Covid-19 em termos absolutos. O número subiu repentinamente impulsionado pela segunda onda da pandemia que esgotaram as reservas de oxigênio fornecidos aos pacientes internados, principalmente no Amazonas. À época, a demanda diária no Estado girava em torno de 76 mil m3 de oxigênio, sendo que as empresas fornecedoras não conseguiam produzir mais do que 28,2 mil m3.

Governo federal soube de escassez de respiradores um mês antes de crise em  Manaus - Revista Cenarium
Homem carrega cilindro de oxigênio para parentes hospitalizados (Bruno Kelly/ Reuters)

Em Manaus, dezenas de pessoas morreram sufocadas por falta de oxigênio. Sobrecarregadas, as autoridades estaduais tiveram que impor um toque de recolher, enquanto o governo evacuou pacientes para outros estados, organizou envios de oxigênio para Manaus e até recebeu uma doação da empobrecida Venezuela.

Leia mais: Famílias com alto poder aquisitivo no AM estocam oxigênio em casa e geram crise de abastecimento

Tudo parecia obscuro com aquelas centenas de mortes, dezenas diariamente. Até que as primeiras doses da vacina contra a Covid-19 chegaram ao Amazonas por volta de 18h45 do dia 18 de janeiro. Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) transportou os imunizantes de São Paulo, e pousou na Base Aérea de Manaus, na zona Sul, enviados pelo Ministério da Saúde.

Horas depois, o Estado imunizava a primeira pessoa em solo amazonense. Vanda Ortega, técnica de enfermagem e indígena da etnia Witoto, recebeu a primeira dose da vacina no Estado, representando milhares de mulheres que atuam na linha de frente no combate à doença. No Dia Internacional da Mulher, ela relembra sua trajetória, que compreende luta, estudo, dedicação ao serviço público e compromisso com a vida de centenas de indígenas, principalmente mulheres.

1ª indígena vacinada no Amazonas: "Aceitei como um ato político, de luta,  como sempre é a nossa vida" - Agência Pública
Vanda durante imunização em Manaus. (Arthur Castro/ Secom)

Vanda é natural do município de Amaturá, a 909 quilômetros de Manaus, e atualmente mora no bairro Parque das Tribos, na zona Oeste da capital amazonense. Após chegar à cidade, aos 16 anos, ela trabalhou durante oito anos como doméstica em casas de família, até conseguir um emprego como atendente em uma loja.

Fevereiro

Mas bastou a vacina chegar em Manaus para começar a falta de organização do município, como no caso dos sete dos dez médicos citados em investigação do Ministério Público do Amazonas sobre “fura-filas” na vacinação contra a Covid-19 em Manaus que foram exonerados pela Prefeitura da capital. Entre os nomes, estão das gêmeas Isabelle e Gabrielle Kirk Maddy Lins. As duas receberam a primeira dose da vacina no dia 19 de janeiro – mesmo dia em que uma delas foi contratada. A outra foi efetivada no cargo dia 18, um dia antes.

David Almeida e as gêmeas Gabrielle e Isabelle Lins, médicas recém-formadas no momento da vacinação (Reprodução)

Leia mais: Escândalo dos ‘fura-filas’ na vacinação da Prefeitura de Manaus é destaque em rede nacional

O esquema de fura-filas na vacinação contra a Covid-19 organizado pela Prefeitura de Manaus voltou a ser destaque em rede nacional e repercutiu no primeiro dia de fevereiro. O programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu detalhes da investigação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) que apura denúncias de pessoas vacinadas que não estavam entre as prioridades e afirma que a prefeitura contratou médicos em desconformidade com a lei.

De acordo com o MP-AM, a prefeitura achou uma maneira irregular de contratar dez médicos às vésperas do início da vacinação e não teve controle de quem deveria ser imunizado.

Março

Foi em março que o papa Francisco iniciou a 33ª viagem internacional de seu pontificado. No Iraque ele deveria ficar até o dia 8, cumprindo uma agenda que previa encontros com autoridades e religiosos — tanto cristãos quanto muçulmanos. Foi uma jornada cheia de simbolismos.

Um membro das forças iraquianas passa por um mural que retrata o Papa Francisco acenando ao lado de uma bandeira nacional iraquiana, em Bagdá
Papa Francisco quer enfatizar a necessidade de paz, independentemente da crença religiosa. (Divulgação)

Francisco escolheu o lema “sois todos irmãos”, extraído do Evangelho de Mateus, para a viagem, com a qual pretende enfatizar a necessidade de paz, independentemente da crença religiosa.

O contexto geopolítico do Oriente Médio, a pandemia que assola o mundo desde o início do ano passado e o próprio ineditismo de uma visita papal ao Iraque contribuem para tornar este episódio um fato histórico.

Abril

Como consorte real, era incumbência do príncipe Philip acompanhar sua cônjuge, a rainha Elizabeth II, em suas tarefas como soberana: visitas oficiais a outros países, jantares e recepções de Estado, discursos de abertura do Parlamento, cerimônias e ritos honoríficos. 

Príncipe Philip morre aos 99 anos | Mundo | G1
O príncipe Philip. (Divulgação)

Philip, que morreu no dia 9 de abril, aos 99 anos, costumava ser discreto sobre o que pensava dessas atribuições. Embora tenha dito que, se pudesse escolher a qual profissão se dedicar, “preferiria ter continuado na Marinha, francamente”, afirmou também, na mesma entrevista ao Independent em 1992, que “tentou tirar o melhor” da vida como coadjuvante no casamento de 74 anos.

Em março também ocorreu a visita do presidente da República Jair Bolsonaro no dia 23. A presença do presidente incentivou aglomerações entre apoiadores que aguardavam para recebê-lo, desrespeitando os protocolos sanitários determinados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Bolsonaro esteve na capital amazonense para inaugurar a segunda etapa do Centro de Convenções Vasco Vasquez (CCAVV) – que teve o financiamento de recursos federais e estaduais – e para a entrega simbólica de cestas de alimentos a pessoas em situação de vulnerabilidade social. No local, fez um discurso criticando mais uma vez, medidas de lockdown e afirmando que está tirando o País das “garras da nefasta esquerda brasileira”.

Maio

Mais uma vez, a pandemia de Covid-19 assustou os brasileiros ao levar aquele que era responsável por arrancar sorrisos fartos mesmo diante de situações difíceis. No dia 4, o ator e humorista Paulo Gustavo, um dos artistas mais populares e admirados do País, morreu aos 42 anos, vítima de Covid-19. Criador de Dona Hermínia e de outros personagens inesquecíveis no teatro, na TV e no cinema, ele estava internado desde 13 de março no Hospital Copa Star, em Copacabana, na zona Sul do Rio.

O quadro de saúde de Paulo Gustavo piorou no dia 2, quando sofreu uma embolia pulmonar. Antes, ele vinha apresentando melhoras significativas – chegou a ter redução de sedativos e bloqueadores e a interagir com médicos e com o marido, Thales Bretas.

Paulo Gustavo, em foto de novembro de 2016  — Foto: Daniela Ramiro/Estadão Conteúdo/Arquivo
Ator Paulo Gustavo. (Divulgação/ Estadão)

No mesmo dia, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado começa a ouvir, de forma semipresencial, os primeiros depoimentos de ex-ministros da Saúde. Serão ouvidos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, respectivamente, a partir das 10h e das 14h. 

Ambos estarão presencialmente na sala da CPI e serão ouvidos na condição de testemunhas. Mandetta deixou o cargo ainda no início da pandemia, em meados de abril de 2020. À época, o Brasil registrava 1.924 mortes. Já o médico Nelson Teich, que sucedeu Mandetta, ficou menos de um mês no ministério. A CPI durou 6 meses após ser prorrogada por 90 dias e ouviu dezenas de servidores, diretores e agentes de saúdes ligados ao Ministério da Saúde e empresas de fornecedores.

Após pedir ajuda do governo federal e não conseguir, uma criança Yanomami de pouco mais de um ano morreu, no dia 21 de maio, na comunidade Yarita, dentro da Terra Indígena Yanomami, em Roraima. O quadro de desnutrição era tão grave que o menino não conseguia lagrimar e nem chorar. Um pedido para retirá-lo da região e para que fosse socorrido na capital Boa Vista não foi atendido. Os relatos são do presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kuanna (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami.

Foto de menina Yanomami, de 8 anos, deitada em uma rede com as costelas expostas chamou a atenção para a crise humanitária dos Yanomami (Reprodução/Folha de S. Paulo)
Imagem de criança Yanomami viralizou nas redes por conta dos fortes sinais de desnutrição. (Divulgação)

Cerca de 30 mil indígenas vivem na reserva, em mais de 300 comunidades. Junior Yanomami, presidente do Condisi, acompanhou uma equipe do Fantástico, da TV Globo em três comunidades: Surucucu, Heweteu e Xaruna. O caso tomou proporção nacional na imprensa.

Junho

Foi em junho que o rio Negro atingiu o ponto máximo da cota de cheia, registrando assim a maior de todos os tempos. O nível do rio alcançou 30 metros no dia 5, ultrapassando em 3 centímetros a cota recorde registrada no ano de 2012.

Após a maior cheia da história, nível do Rio Negro começa a baixar em  Manaus | Amazonas | G1
Prédio da Alfândega, no Centro histórico de Manaus, durante cheia de 2021. — Foto: Rede Amazônica/ Reprodução

Com a pandemia ainda dando sinais, o Festival Folclórico de Parintins precisou ser cancelado pelo segundo ano consecutivo. Apesar da forte dependência econômica do município em relação ao Festival, o cancelamento foi decidido para evitar o alto risco de contaminação do público, dos artistas, outros trabalhadores da estrutura do evento e da população local. O evento acontece anualmente no mês de junho.

Mas foi em junho também que Lázaro Barbosa Sousa, de 32 anos, foi morto pela polícia, depois de mais um confronto com agentes que integram a força-tarefa criada para procurá-lo. Após ser baleado, ele chegou a ser encaminhado para um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos. A troca de tiros foi em Itamaracá, em Águas Lindas de Goiás, região onde o criminoso estava sendo procurado.

Protagonista de uma fuga cinematográfica, Lázaro despistou centenas de agentes de polícia. Durante 20 dias, 270 policiais procuravam pelo serial killer. Participaram das buscas equipes das polícias Civil e Militar de Goiás e do Distrito Federal, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Diretoria Penitenciária de Operações Especiais (DF) e do Corpo de Bombeiros Militar (CBMGO).

Polícia faz buscas para prender Lázaro de Sousa Foto: Editoria de Arte
Arte mostra Lázaro com fotos de policiais. (Divulgação/ O GLOBO)

De acordo com a Secretaria de Segurança de Goiás, Lázaro era investigado por mais de 30 crimes, cometidos naquele Estado, na Bahia e no Distrito Federal. Ele é suspeito da morte de quatro pessoas de uma mesma família em Ceilândia, no DF, e do funcionário de uma fazenda no distrito de Girassol, em Goiás.

Julho

Um fato marcante foi a viagem espacial do empresário americano Jeff Bezos, dono da Amazon e da Blue Origin, no dia 20 e que foi concluída com sucesso. O bilionário foi lançado em um foguete de uma base no Texas, nos Estados Unidos. A viagem toda durou 10 minutos e 20 segundos.

Os tripulantes foram recebidos por familiares assim que saíram da cápsula
Os tripulantes foram recebidos por familiares assim que saíram da cápsula.
BLUE ORIGIN / AFP

A aventura fez história por ser a primeira ocupada apenas por civis e sem a presença de um piloto. Além do magnata, estavam a bordo o irmão dele, Mark Bezos, a pilota octogenária Wally Funk, que fez treinamentos para participar de operações espaciais nos anos 1960, e Oliver Daemen, de 18 anos, que se tornou a pessoa mais jovem a ir ao espaço.

O quarteto chegou ao espaço depois de 4 minutos do lançamento. Os propulsores retornaram para o solo em segurança após 7 minutos e 20 segundos.

Neste mesmo mês, com um ano de atraso, causado pela pandemia global de coronavírus, finalmente Tóquio realiza no dia 23, a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. A cerimônia começou com uma homenagem aos atletas que se esforçaram para chegar a Tóquio 2020, com o lema “Unidos pela emoção”.

Bruno Mossa Rezende e Ketleyn Quadros
Delegação brasileira entrou de havaianas. (Divulgação)

Vários atletas japoneses representaram esse esforço com uma coreografia no meio do Estádio Olímpico de Tóquio. Uma bela dança feita com fios vermelhos, que simbolizam a torção dos músculos dos atletas preencheu o campo do estádio.

Agosto

Em agosto, o plenário da Câmara dos Deputados rejeitou, no dia 10, a PEC do Voto Impresso (Proposta de Emenda à Constituição 135/19). Foram 229 votos favoráveis, 218 contrários e 1 abstenção. Como não atingiu o mínimo de 308 votos favoráveis, o texto será arquivado.

Discussão e votação de propostas. Presidente da Câmara, dep. Arthur Lira PP - AL
Plenário da Câmara dos Deputados. (Divulgação)

A proposta rejeitada, de autoria da deputada Bia Kicis (PSL-DF), determinava a impressão de “cédulas físicas conferíveis pelo eleitor” independentemente do meio empregado para o registro dos votos em eleições, plebiscitos e referendos.

Após a votação, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), agradeceu aos deputados pelo comportamento democrático. “A democracia do Plenário desta Casa deu uma resposta a este assunto e, na Câmara, espero que este assunto esteja definitivamente enterrado”, afirmou.

A votação foi a terceira derrota do voto impresso na Câmara, já que o tema foi rejeitado em duas votações na comissão especial na semana passada.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) visitou Manaus, no dia 18, para inauguração de um conjunto residencial popular. O avião com a comitiva pousou no aeroporto Eduardo Gomes. Sem máscara, ele cumprimentou apoiadores que estavam esperando na entrada do aeroporto e gerou aglomeração. Em seguida, entrou em um carro carro e permaneceu em pé, com porta aberta, seguindo para a área do residencial.

Nem o período de crise pandêmica, em janeiro, trouxe o presidente da República, Jair Bolsonaro, a Manaus, que inaugurou um residencial nesta terça-feira, 18 (Ricardo Oliveira/Cenarium)
Nem o período de crise pandêmica, em janeiro, trouxe o presidente da República, Jair Bolsonaro, a Manaus, que inaugurou um residencial. (Ricardo Oliveira/ Cenarium)

Além de Bolsonaro, estiveram no comboio os pastores Marco Feliciano e Silas Malafaia, o ministro do turismo Gilson Machado, além do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, atual secretário de Estudos Estratégicos da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

Setembro

Em setembro, o governador Wilson Lima anunciou o pagamento do Auxílio Estadual de forma permanente para 300 mil famílias em situação de vulnerabilidade social em todo o Amazonas. São 158 mil beneficiários na capital e 142 mil no interior, que receberão o valor mensal de R$ 150. O início do pagamento está previsto para novembro deste ano.

Segundo o governador, o Governo Estado, além de tornar permanente o pagamento do benefício, está ampliando a política do Auxílio Estadual criado para garantir segurança alimentar e proteção social. Um decreto regulamentando o benefício será publicado e o valor será repassado por meio de cartão. As famílias vão poder utilizar o recurso em estabelecimentos credenciados.

Beneficiária segura cartão com auxílio creditado. (Divulgação)

Para definição dos beneficiários, o programa de transferência de renda utilizará os dados da população amazonense inscrita no Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal. O CadÚnico é o conjunto de informações sobre as famílias brasileiras em situação de pobreza e extrema pobreza criado para implementação de políticas públicas capazes de promover a melhoria da vida dessas famílias.

Mas nem todos os brasileiros tiveram a mesma oportunidade. A crise econômica gerada pela pandemia trouxe de volta uma ameaça para parte dos brasileiros: a fome. Com inflação e desemprego elevados, o País passa a registrar mais cenas de pessoas em busca de doações de alimentos e até de itens rejeitados por supermercados. O caso mais recente a ganhar repercussão ocorreu na zona Sul do Rio de Janeiro.

No fim de setembro, uma reportagem do jornal Extra mostrou que um caminhão com restos de carne e ossos, no bairro Glória, virou ponto de distribuição para moradores que têm fome e não possuem dinheiro suficiente para comprar alimento.

Caminhão de ossos' no Rio é disputado por população com fome

Leia mais: No Governo Bolsonaro, amazonenses comem pé de galinha e cozinham com lenha

Outubro

Em outubro, uma polêmica esteve nos holofotes, mais uma vez impulsionada pelos discursos machistas de Jair Bolsonaro, isso porque o presidente vetou a distribuição gratuita de absorventes para pessoas de baixa renda, medida prevista no Projeto de Lei 4968, de 2019, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados e Senado Federal.

Absorventes internos e externos: pobreza menstrual era tema principal do projeto de distribuição gratuita dos itens
Registro mostra absorventes para ilustrar matéria. (Divulgação)

Em publicação no Diário Oficial da União no dia 7, o presidente sancionou a criação de um Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual com uma “estratégia” para a “promoção da saúde e atenção à higiene feminina”.

Novembro

Txai Suruí foi o rosto que marcou a COP26 em Glasgow deste ano. Aos 24 anos, foi a primeira indígena a discursar na abertura de uma conferência do clima, no dia 1º. Em meio a engravatados, a jovem que usava um cocar de penas coloridas apontou a urgência de medidas eficientes para frear as mudanças climáticas, além de ressaltar a importância dos povos indígenas na proteção da Amazônia.

Txai citou no discurso a morte do indígena Ari Uru-Eu-Wau-Wau, que trabalhava registrando e denunciando extrações ilegais de madeira dentro da aldeia onde morava. Segundo Txai, ele foi morto por defender a floresta.

Txai Suruí, indígena de Rondônia, foi a única brasileira a discursar na abertura da COP26 — Foto: Gabriel Uchida/Arquivo pessoal
Txai Suruí, indígena de Rondônia, foi a única brasileira a discursar na abertura da COP26 — Foto: Gabriel Uchida/ Arquivo pessoal

Por fim, a jovem ativista ainda cobrou a participação dos povos indígenas nas decisões que envolvem medidas de combate às mudanças climáticas, afirmando que eles estão na linha de frente e possuem ideias que também devem ser consideradas.

Dias depois, uma informação pegou todos de surpresa. O avião que levava a cantora Marília Mendonça e parte de sua equipe havia caído, no dia 5 de novembro, em uma cachoeira no interior de Minas Gerais. Inicialmente, a informação divulgada foi de que todos os passageiros haviam sobrevivido, mas logo, em seguida, imagens mostravam a cantora sendo retirada da aeronave sem vida. O País parou, fazendo com que fãs de todos os Estados desembarcassem em Goiânia, onde a cantora, de 26 anos, foi velada e enterrada.

Marília Mendonça: família vai restaurar diário da cantora achado em local  de acidente aéreo - Revista Cenarium
A cantora Marília Mendonça durante show. (Divulgação)

A polícia constatou que a aeronave que levava Marília bateu em fios de torres de transmissão, após reduzir altitude, minutos antes do pouso na cidade de Caratinga. No painel de estatísticas do Cenipa, o Sipaer (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), disponível na internet, o acidente com o avião Beechcraft King Air C90 foi categorizado como um CFIT (Controlled Flight Into Terrain) – uma colisão com o solo em voo controlado.

Peritos analisam aeronave após queda. (Divulgação)

Leia mais: Marília Mendonça: um mês após acidente, polícia aguarda análises para concluir investigação

Já no dia 24, uma imagem viralizou nas redes sociais após uma denúncia do Greenpeace. Centenas de balsas e dragas se instalaram no rio Madeira, no Amazonas, para atividades de garimpo ilegal. Segundo a entidade voltada à preservação ambiental, as balsas estavam no local há cerca de 15 dias, após surgir a informação de que havia ouro na região. Ao todo, cerca de 300 balsas foram encontradas no local.

Segundo o Greenpeace são 300 balsas estacionadas no rio Madeira (Bruno Kelly/ Greenpeace)
Balsas com dragas enfileiradas no rio Madeira em busca de ouro. (Greenpeace/ CENARIUM)

Leia mais: Rio Madeira: Eldorado e risco ambiental

A denúncia fez com que o caso ganhasse repercussão nacional e internacionalmente. Após o caso, a Polícia Federal (PF), com apoio das Forças Nacionais de Segurança, e outros órgãos voltados à preservação do meio ambiente, deflagraram, na região do rio Madeira, no Amazonas, uma operação que resultou na prisão de três pessoas e apreensão e destruição de 131 balsas utilizadas para o garimpo ilegal.

Apesar de o garimpo ser uma atividade clandestina comum e de conhecimento público nessa região, o movimento “atípico” em Autazes (a 100 quilômetros de Manaus), chamou a atenção da população, segundo o Greenpeace, que reivindicou maior celeridade às autoridades para deter este “crime ambiental”.

Dezembro

Um caso triste repercutiu em Manaus e trouxe à tona a falta de segurança na capital. Melquisedeque Santos de Vale, de 20 anos, foi brutalmente assassinado com um tiro na cabeça, em 16 de dezembro quando voltava para casa após um dia de trabalho. Revoltados com a morte precoce do jovem indígena da etnia Sateré-Mawé, amigos e familiares organizaram uma manifestação para reivindicar justiça e mais segurança.

O jovem indígena da etnia Sateré-Mawé Melquisedeque Santos do Vale, de 20 anos. (Reprodução/ Redes Sociais)
Jovem foi assassinado com um tiro durante um assalto a um coletivo da linha 444, na capital amazonense. (Divulgação)

Mas ainda no último mês do ano, uma boa notícia tomou conta do Amazonas. O governador do Estado, Wilson Lima (PSC), anunciou, nesta quarta-feira, 15, o pagamento do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e da Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) aos profissionais que atuam na Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc). O abono é o maior valor já pago na história do Estado, onde professores vão receber até R$ 37,9 mil para quem possui carga horária de 60 horas. Quem possui carga horária de 20 horas, receberá R$ 12.700 e professores com 40 horas, R$ 25.200.

Maior Fundeb da história foi pago no último dia 23. (Diego Peres/ Secom)

Confira retrospectiva da TV CENARIUM na íntegra: