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23 de junho de 2021
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Paulo Bahia e Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – Cerca de 200 estabelecimentos comerciais do Centro de Manaus já estão afetados pela cheia do rio Negro de acordo com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Manaus). Segundo a entidade, ainda não há como mensurar os prejuízos causados pela subida das águas. Nesta segunda-feira, 17, o nível do rio chegou à marca de 29,72 metros, a terceira maior da história, de acordo com a Defesa Civil Municipal.

“Temos em torno de 200 comerciantes com problemas em todas as fases, aquela em que a água está começando a entrar nas lojas; aquela em que a água já está a um palmo acima; aquela em que a água já subiu quase 60 centímetros no estabelecimento”, disse o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayag.

O nível do rio Negro registrado hoje é o terceiro maior da história e está a apenas 25 centímetros da cota histórica de 2012, quando a marca chegou a 29,97 metros.

Vendedor em uma loja no centro histórico de Manaus há 25 anos, Demétrio Rodrigues fala sobre a situação que preocupa clientes e comerciantes. “Por aqui, a gente já está até acostumado, … porque, com o passar do tempo, a gente vai se acostumando com a situação, mas é meio difícil trabalhar”, contou o lojista Demétrio à REVISTA CENARIUM.

Demétrio Rodrigues trabalha no centro histórico de Manaus há 25 anos (Jander Souza/TV Cenarium)

A capital do Amazonas, assim como outras 51 cidades do Estado, enfrenta a rápida e crescente subida da água. O rio Negro, que banha Manaus, atingiu o centro histórico e já avança, desde domingo, 16, por pontos turísticos como a Praça do Relógio. Motoristas precisaram mudar a trajetória para não trafegar pelo local alagado. O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) estima que o nível da água chegue este ano a 30,35 metros.

Para diminuir os impactos e evitar um prejuízo ainda maior, lojistas se anteciparam e construíram pequenos muros (barricadas) com o objetivo de frear o avanço da água para dentro das lojas. “A população tem ajudado, temos também feito as marombas para as pessoas passarem. A cheia afeta toda a venda, mas é aquele jeitinho brasileiro: se você baixar a cabeça, você não consegue o que quer, que é o sustento para sua família”, afirma Demétrio.

Adaptação

O centro histórico de Manaus é famoso pela forma robusta de prédios construídos no período da era colonial, quando a capital ficou conhecida como a Bélle Époque, época marcada pelo luxo e beleza. As ruas, no entanto, precisam de implementações de pontes, quando o nível do rio começa a avançar pelas vias, como a passagem instalada na avenida Eduardo Ribeiro, que dá acesso à praça do Relógio Municipal.

Água chega ao monumento histórico construído em 1929 (Ricardo Oliveira/Revista Cenarium)

A vendedora Polyanne de Souza Oliveira, que trabalha em uma loja de calçados na avenida, conta que com o avanço da água, não era possível esperar apoio de autoridades públicas para adotar medidas que visassem minimizar os impactos aos empreendimentos. Por isso, continua ela, alguns lojistas se juntaram e iniciaram as construções dos muros.

“A cheia afeta diretamente as vendas. As pessoas têm um certo receio de vir para cá, até mesmo por conta da segurança da saúde, porque essa água é poluída, e por causa do mau cheiro. Estamos colocando promoções, abaixamos os produtos. Quando o cliente passa, chamamos ele. Estamos fazendo isso para atrair a clientela”, salienta Polyanne.

Falta 25 centímetros…

“Falta pouco, apenas 25 centímetros para atingir a máxima de 2012. De ontem para hoje, subiu dois centímetros”, lembra Valdorino Pereira, que trabalha no Porto de Manaus desde 1969 e, durante todas manhãs, quando chega para iniciar o longo dia de expediente, ele acompanha o nível da água.

O trabalhador estima que o rio chegue ao registro histórico de 2012, mas ainda não é possível confirmar quando. “Acredito que o rio chegue nessa cota de 29,97. É quase certeza. Agora o que vem depois disso daí, é difícil de dizer”, finaliza Valdorino.

Medições diárias

O presidente da CDL-Manaus destaca que as medições do rio são realizadas diariamente por membros do órgão, com o objetivo de avaliar os impactos aos comerciantes do local. Segundo Ralph Assayag, o rio subiu de forma rápida neste fim de semana, o que assustou ele e os lojistas.