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25 de novembro de 2021
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Bruno Pacheco – Da Revista Cenarium

MANAUS – O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), protagonizou nesta quarta-feira, 19, uma discussão acalorada com o senador Eduardo Braga (MDB), também do Amazonas, durante um intervalo da sessão, onde o ex-ministro Eduardo Pazuello prestava depoimento aos parlamentares, no Senado Federal, em Brasília.

Em um vídeo compartilhado nas redes sociais, Omar e Braga aparecem se confrontando sobre a competência das autoridades para salvar vidas durante a crise do oxigênio em Manaus, cujo sistema colapsou por conta do pico da pandemia da Covid-19, nos meses de janeiro e fevereiro deste ano.

O início do vídeo é inaudível, mas aparentemente Braga utiliza a palavra competência para questionar a gestão da crise no Amazonas. “Competência para salvar vidas. Não faltou dinheiro não. Quando tem dinheiro…”. Omar questiona e pergunta: ‘De quem [faltou competência]”. Braga responde: “Do governador do Estado, do prefeito de Manaus, da saúde pública”. Omar rebate: “Então fala com o prefeito”.

A discussão aconteceu na presença dos senadores Humberto Costa (PT), Rodolfe Rodrigues (Rede), Renan Calheiros (MDB), relator da CPI, e Otto Alencar (PSD). Ao final, alguns dos senadores sugerem um ‘Pai-Nosso’ para acalmar os ânimos. Apesar de questionar a gestão durante a pandemia, Braga, enquanto foi governador do Amazonas entre 2003 e 2010, não instalou nenhuma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) no interior do Estado.

Ex-aliados

Omar Aziz foi vice-governador do Amazonas, em duas ocasiões, na chapa do então governador Eduardo Braga, entre os anos de 2003 a 2010. Em 2010, Braga renunciou ao mandado para concorrer ao Senado e Aziz ascendeu ao governo. Naquele ano, Omar foi eleito governador com José Melo como vice.

No ano de 2014, Omar também renunciou ao governo e concorreu ao Senado, sendo eleito. Os senadores da CPI da pandemia são ex-aliados desde 2014, quando Omar rompeu com Eduardo Braga para apoiar José Melo ao governo, cargo para qual o mdbista pretendia retornar.

À época, as eleições foram definidas no segundo turno. Melo foi reeleito com 55,54% dos votos válidos contra 44,46% de Braga. Para 2022, a expectativa nos bastidores é que Braga volte a disputar o governo amazonense, conforme aliados políticos vêm especulando.

Depoimento

Nesta quarta-feira, 19, foi a vez do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, prestar depoimento na CPI da Pandemia, que investiga ações e possíveis omissões do Governo Jair Bolsonaro durante a Covid-19. A sessão ficou marcada por discussões e troca de acusações entre os parlamentares.

O general foi questionado pelos senadores sobre assuntos como o tratamento com cloroquina, a interferência do presidente contra compra de vacinas e a crise do oxigênio no Amazonas. Durante intervalo, Pazuello chegou a passar mal e recebeu atendimento médico. O presidente da CPI, Omar Aziz, suspendeu a sessão que será retomada na quinta-feira, 20, às 9h30.

No depoimento, Pazuello negou a interferência de Bolsonaro contra compra de vacinas e disse que não houve ordem específica para tratamento com cloroquina. O general disse ainda que o estoque de oxigênio hospitalar em Manaus ficou negativo durante apenas três dias em janeiro, o que revoltou os senadores, fazendo com que Braga o chamasse de mentiroso.

“Informação errada, mentirosa. Não faltou oxigênio no Amazonas apenas três dias. Faltou oxigênio na cidade de Manaus por mais de 20 dias. É só ver o número de mortos. É só ver o desespero”, declarou o senador.

Sobre a falta de oxigênio em Manaus, Pazuello disse que só foi informado no dia 10 de janeiro. Um ofício encaminhado pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, mostra que o ministério foi avisado sobre a falta do insumo no dia 7 de janeiro, seis dias antes do sistema entrar em colapso.