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28 de janeiro de 2022
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Da Revista Cenarium

PALMAS – O projeto Campo Sustentável teve início em 2018, com o objetivo de demonstrar, aos produtores rurais, os resultados econômicos obtidos com a implantação de Sistemas de Integração Lavoura Pecuária e Floresta (ILPF). No começo das atividades, o projeto tinha como meta a implantação em 50 hectares de terra. Com o desenvolvimento dos trabalhos, esse número aumentou e finaliza atendendo 74 hectares de propriedades das regiões norte, sul e central do Estado.

O secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Renato Jayme, reforça que o Campo Sustentável “é um projeto que vai apresentar resultados a médio e longo prazo, e o desenvolvimento dessas atividades busca também a redução do desmatamento provocado pela pecuária e a recuperação de áreas degradadas, além de aumentar a produtividade das propriedades diversificando a renda para o produtor rural”.

As atividades do Campo Sustentável foram desenvolvidas inicialmente na Fazenda Guará, localizada na zona rural do município de Aliança do Tocantins. Nos 25 hectares utilizados da propriedade, foram colhidas 500 toneladas de sorgo forrageiro para silagem que serviram de alimento para os animais durante o processo de integração proposto para a redução do desmatamento.

A proprietária da Fazenda Guará, Aline Kehrle, frisa que “as árvores ainda estão em crescimento, mas esperamos que, em alguns anos, elas possam nos trazer vantagens também, tanto pela venda das castanhas quanto para o ecossistema, já que plantamos árvores nativas”. A proprietária também destaca o prazer de ter uma área recuperada. “Fora os benefícios diretamente ligados à produtividade, também vale lembrar o bem que esse trabalho proporciona ao nosso estado de espírito, afinal, transformar uma área degradada em produtiva usando técnicas de vanguarda, nos motiva bastante”, afirma.

As fazendas Laço de Ouro e Dois Irmãos, localizadas respectivamente nos municípios de Almas e Pium-TO, também participaram do projeto. Nas duas propriedades, foram colhidas 1.500 toneladas de sorgo forrageiro no total. O projeto também fez o plantio de milho nos dois imóveis, e parte dessa plantação composta de milho verde deve ser colhida ainda este ano. Em todas as fazendas, foram trabalhadas a parte florestal e de lavoura.

A escolha das propriedades é feita com base em alguns critérios definidos em conjunto com os parceiros do Campo Sustentável. Um dos quesitos prioritários é que o imóvel pertença legalmente a uma mulher. A propriedade também deve estar localizada a uma distância máxima de 350 km da capital Palmas. O imóvel também deve possuir infraestrutura básica com pelo menos uma área cercada, uma vez que o proprietário cede para o projeto o local que ficará isolado por um período mínimo de cinco anos, prazo para as mudas se fortalecerem.

O projeto Campo Sustentável também desenvolveu atividades baseadas em um plano de negócios e investimentos. Isso possibilitou a realização de simulações de vários componentes florestais e agrícolas, e partir desse plano, o produtor teve conhecimento sobre o retorno financeiro que seria alcançado ao longo dos anos. Durante a execução do projeto, também foram feitas várias análises de biomassas secas e de microbiota com o objetivo de pesquisar o comportamento das mudas e do solo, utilizando o sistema de integração.

Guia

Além do plano de investimentos realizados nas propriedades, o projeto Campo Sustentável está na fase final da elaboração de um guia que vai mostrar o levantamento feito em 100 imóveis rurais de 12 municípios do Estado, onde foram colhidas informações do sistema ILPF e dos seus componentes agrícolas e florestais. O estudo serve para mostrar ao produtor rural qual o investimento e os benefícios que ele pode ter com a valorização financeira gado e possibilidades de venda para o exterior. O guia estará disponível no site do Campo Sustentável e da Semarh assim que estiver concluído.

Escolas

O projeto Campo Sustentável também estendeu suas atividades para as instituições de ensino no Estado. Ao todo, foram contempladas três escolas que envolveram aproximadamente 300 estudantes quilombolas, indígenas e filhos de agricultores que cursavam o 2° e o 3° ano do ensino médio. A coordenadora do projeto, Thaiana Brunes, destaca a importância da atuação do projeto dentro desses ambientes. “Esses estudantes vão sair da escola com outra visão sobre o meio ambiente e levarão esse aprendizado para as famílias e para os locais de trabalho, principalmente porque a maioria são produtores rurais. O projeto teve um papel fundamental nessa parte social e conseguiu atender um número significativo de alunos”, pontua.

As escolas também foram selecionadas com base nas demandas que o projeto conseguiria atender levando em consideração a localização de no máximo 350 km de distância da capital do Estado. As Instituições contempladas foram: Escola Família Agrícola Zé de Deus localizada em Colinas, escola Família Agrícola Padre Josimo situada em Esperantina e o colégio Família Agrícola José Porfírio de Souza que fica em São Salvador. Os alunos receberam instruções sobre a produção de mudas e foram capacitados para a futura implantação do sistema ILPF.

A estudante do Colégio Família Agrícola José Porfírio de Souza, Isabela Pires, ressaltou que “o envolvimento de todos na produção dos viveiros é muito importante principalmente para a partilha de experiências e o aprimoramento do aprendizado”. Ainda segundo a estudante, “o Campo Sustentável valoriza o trabalho da mulher desde a elaboração do projeto até a mão de obra inserida no campo, e isso valoriza a gente e nos motiva a estar cada vez mais nas frente de trabalho”.

Em Colinas e Esperantina, o projeto contou com o auxílio dos estudantes para reforma dos viveiros atendendo a demanda das escolas que tinham capacidades diferentes para produção de mudas nativas florestais. As instituições de ensino contam hoje com aproximadamente 1000 mudas já produzidas e que estarão prontas para o plantio em meados de novembro. O projeto também adquiriu e doou às instituições de ensino as ferramentas para a execução dos trabalhos nos viveiros.