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15 de junho de 2021
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Marcela Leiros – Da Revista Cenarium

MANAUS – O descarte incorreto de lixo em ruas, igarapés e outros espaços públicos em Manaus é um problema que volta para a população na forma de acúmulo do lixo e poluição do meio ambiente, como mostrado pela CENARIUM na reportagem “Lixo, mau cheiro e doenças: cheia dos rios evidencia poluição em igarapés e moradores sofrem com impactos“, a primeira da série Semana do Meio Ambiente. Para esta questão, a solução parece ser muito mais do que recolhimento e despejo do lixo, em aterros sanitários, por parte dos órgãos e autoridades responsáveis pela limpeza urbana.

Conscientizar sobre o descarte correto do lixo é o propósito de projetos como o Igarapés Limpos. Idealizado em 2018, o projeto começou no entorno do Paço da Liberdade, no Centro Histórico de Manaus, com o objetivo de chamar a atenção da população para aquele problema, como explica Daniel Maia Félix, um dos organizadores da iniciativa.

“A principal proposta é de promover e aplicar a educação ambiental e sustentabilidade nas comunidades em torno dos igarapés em que o projeto atua, sensibilizando a população. A falta de conscientização sobre o descarte correto dos resíduos é uma das principais barreiras para o serviço de limpeza de Manaus. A prática, associada a uma série de erros, tem colocado em risco os recursos naturais e a saúde da própria população”, explica o voluntário.

Apenas em 2018, o Igarapés Limpos realizou um mutirão com nove ações e trabalho de 242 voluntários. Cerca de 6,6 toneladas de lixo foram recolhidas. No ano seguinte, em 2019, algumas das ações do projeto foram o mutirão de limpeza na Marina do Davi, na capital amazonense, realizado no âmbito da Virada Sustentável de Manaus. Outro mutirão também foi realizado junto com Greenpeace Manaus, no Parque do Mindu, também na capital.

Daniel lembra ainda que o lixo prejudica a população diretamente, por meio dos impactos na infraestrutura das cidades. “O lixo causa poluição ambiental e visual, a sujeira nas ruas pode provocar alagamentos e inundações em períodos de chuva pelo transbordamento dos igarapés e tubulações obstruídas pelos resíduos”, explica.

Mutirão de limpeza do projeto Igarapés Limpos no Parque do Mindu, em Manaus (Reprodução/Arquivo Pessoal)

Lixo Zero

Além da iniciativa de disseminar a conscientização de descarte correto destes resíduos, há outro conceito cujo movimento tem crescido em várias regiões do País e do mundo, e também em Manaus. A não geração de resíduos sólidos, o lixo, é um movimento em prol de uma sociedade sem lixo, em que os materiais orgânicos viram adubo e os materiais recicláveis são reinseridos na cadeia produtiva com o reaproveitamento de resíduos.

Na capital amazonense, a proposta é disseminada pelo projeto Manaus Lixo Zero, credenciado pelo Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB), com sede em Florianópolis (SC). O biólogo Daniel Santos, embaixador do projeto em Manaus, explicou que a ideia também é a redução, ou fim, do encaminhamento de lixo para os aterros sanitários e lixões.

Recolhimento de lixo pelo projeto Manaus Lixo Zero (Reprodução/Arquivo Pessoal)

“A principal proposta do ILZB é fazer a disseminação do Conceito Lixo Zero, que é a não geração de resíduos, mas quando gerados, ser feita a destinação correta, desviando ao máximo de aterro sanitário. Estamos com uma situação muito crítica, nosso aterro está com sua capacidade no limite, atualmente na cheia os igarapés tem muito lixo em seus leitos”, relata ele.

Soluções

Para o problema, há soluções indicadas para o fim ou redução máxima da prática de descarte incorreto dos lixos em lugares impróprios. Uma destas soluções é a coleta seletiva do lixo, é uma prática fácil e que contribui bastante para a redução do lixo destinado aos aterros.

“Outra solução para o lixo é a reciclagem, uma forma de colaborar com o meio ambiente e obter recursos financeiros a quem presta esse serviço. No Brasil, aproximadamente 80% das latinhas de alumínio são recicladas, contribuindo para a redução de utilização da bauxita, que é a matéria-prima necessária para se obter as latas de alumínio. Mas a principal atitude a ser tomada é a redução do consumismo e do desperdício”, pontuou o voluntário Daniel Maia, do Igarapés Limpos.

O conceito do Lixo Zero, por exemplo, é pautado em 4 R’s que visam este objetivo. São eles: Repensar a ideia que resíduos são sujos, não descartar no lixo comum ou misturar materiais que poderiam ser reciclados; Reutilizar diversos objetos e materiais podem ser utilizados de outra maneira antes de serem encaminhados para a reciclagem. Reduzir e gerar o mínimo possível de lixo. Reciclar a matéria-prima do resíduo para fabricar o mesmo ou outro tipo de produto, sem encaminhá-lo para aterros.

O biólogo Daniel Santos, do Manaus Lixo Zero, ainda pontuou a necessidade de mais políticas públicas eficientes e conscientização da população. “Precisamos de mais educação formal e não formal, de políticas públicas mais eficientes e da inclusão do programa Manaus Lixo Zero no município para que possamos disseminar o conceito lixo zero e colocar metas exequíveis e nortear a cidade para que seja uma cidade rumo a ser lixo zero”, ressaltou ele.