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28 de outubro de 2021
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Yuri Lima – Da Revista Cenarium

RONDÔNIA – A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reconheceu, nesta quinta-feira, 27, o Estado de Rondônia com o selo de status de zona livre da febre aftosa. O selo era uma meta que o Governo de Rondônia já estimava para este ano, pois o Estado, que tem o sexto maior rebanho de gado do Brasil, com 14 milhões de cabeças, ostentava desde 2020 o reconhecimento de área livre da doença pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). 

A certificação aconteceu por meio de uma reunião online, na França, em assembleia geral da OIE, agraciando também, na região Norte, o Estado do Acre e parte do Amazonas. Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraná também foram reconhecidos. 

Rondônia tem o sexto maior rebanho de gado do Brasil, com 14 milhões de cabeças. (Reprodução/Embrapa)

Em nota, a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) tratou o feito como uma “conquista histórica”. A Idaron observa que o título traz novos desafios e não só benefícios ao agronegócio rondoniense, havendo a necessidade de continuar com as campanhas de prevenção à doença que atinge bovinos, ovinos, suínos e caprinos, que acontece também por meio da declaração de rebanhos suscetíveis à aftosa. “O produtor rural, que sempre esteve engajado nas ações desenvolvidas pelo governo estadual, continuará a ter grande importância na prevenção de doenças em nosso gado”, diz o presidente da agência, Julio Cesar Rocha Peres.

Em Rondônia, produtores podem declarar rebanhos de bovinos e bubalinos por meio de formulários cedidos pela própria Idaron. Neste ano, a primeira etapa de declaração termina em 31 de maio e é obrigatória. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, com a certificação, 40 milhões de cabeças de gado deixarão de receber as aplicações da vacina, economizando 60 milhões de doses por ano, o equivalente a R$ 90 milhões. A meta é de que todos os Estados brasileiros sejam área livre da febre aftosa sem vacinação até 2026.

“O reconhecimento da OIE significa confirmar o elevado padrão sanitário da nossa pecuária, além de abrir diversas possibilidades para que o Ministério da Agricultura trabalhe pelo alcance de novos mercados para a carne bovina e carne suína do Brasil, assim como pela ampliação dos tipos de produtos a serem exportados aos mercados que já temos acesso”, destacou a ministra Teresa Cristina.

Exportações

Em 2020, a carne bovina foi o principal produto exportado de Rondônia, gerando US$ 624 milhões, diante dos US$ 461 milhões como resultado das exportações de 2019. Já a exportação de carne suína cresceu 54,5% no ano passado em relação a 2019 e o principal cliente foi a China, levando 50,7 mil toneladas.

Para o Ministério da Agricultura, o selo permite a exportação para mercados ainda mais exigentes, principalmente para aqueles que não aceitam a vacinação do gado, justamente como garantia de que não haja infecção e nem comprometimento da qualidade da carne por conta de reações da vacina. 

A estimativa do presidente da Agência de Defesa Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia é de que as exportações de carne neste ano fechem com a arrecadação de mais de 800 mil dólares. A agência Mira no Japão e na União Europeia como novos clientes, já que são países que pagam melhor pelo arroba do boi e Rondônia agora corresponde aos requisitos necessários. 

Benefícios

A Idaron diz que o selo deve facilitar o acesso a mercados atraentes, reduzir a taxa de abortos em casos de fertilização in vitro, além de reduzir a perda na produção leiteira e de carne e carcaças.

Os governadores do Paraná, Amazonas e Rio Grande do Sul marcaram presença na assembleia online. O Governo de Rondônia foi representado pelo vice-governador, José Atílio, que disse que “o reconhecimento fortalece a região Norte e valoriza a produção de carne no Estado”.