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27 de janeiro de 2022
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Via Brasília – Da Revista Cenarium

Falta de visão

Sob qualquer perspectiva que se avalie, o Governo de Jair Bolsonaro (PL) seria reprovado por média insuficiente no que se refere ao seu desempenho na Educação. Na largada, o corte orçamentário da pasta, em ano de pandemia mais grave, que necessitaria ter mais estratégias para reduzir danos à Educação, Bolsonaro falhou. A redução dos recursos para Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação somavam mais de R$ 5 bilhões. Isso enquanto o resto do mundo investiu em educação pensando no aquecimento da economia em longo prazo.

Educação básica em queda

A redução geral do orçamento atingiu também a educação básica, antes prioridade do governo. Foi o pior orçamento em uma década, com a redução de investimentos para construção de creches e ampliação do tempo integral. Sob Bolsonaro, a meta do Plano Nacional de Educação de ter ao menos 25% das matrículas da educação básica em tempo integral até 2024 ficará ainda mais distante. Esse percentual caiu para 13% no ano passado – em 2015, era 18%.

Apagão

Pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou que o número de estudantes sem acesso à educação no Rio de Janeiro, por exemplo, cresceu de 2% para 17% na pandemia. Some-se a isso um Ministério da Educação à deriva, com o pastor Milton Ribeiro mantendo o mesmo perfil ideológico de seus dois antecessores – Ricardo Velez e Abraham Weintraub – com sua notória falta de planos acerca dos rumos da Educação, e se tem uma cartilha de como se promover um apagão na pasta.

Enem menos inclusivo

Estados e municípios, que concentram as matrículas, também foram abandonados em 2021 e não contaram com apoio federal para a manutenção do ensino remoto ou para o retorno seguro às escolas. Ações para infraestrutura das escolas não ocorreram. No Enem menos inclusivo da história do País, o recorde de faltas refletiu a falta de interesse do governo em apoiar o comparecimento do exame. Dos 5,5 milhões de inscritos, mais da metade (51,5%) não compareceu ao exame. Sem contar os casos de alunos impedidos de fazer a prova ao se depararam com salas abarrotadas.

Compra de apoio

Mais preocupado em garantir recursos para abarrotar recursos para compra de base parlamentar no Congresso Nacional e, assim, afastar o risco do impeachment, o ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a dizer que novos cortes teriam de ser feitos na área da educação. A desculpa oficial era que a população queria a volta do auxílio emergencial. Pensamento tão pequeno quanto o crescimento econômico projetado para 2022. Isso só se os indicadores pararem de piorar.