24 de novembro de 2020

Dólar

Euro

Manaus
23oC  29oC

Com informações do The Intecept Brasil

SE VOCÊ TENTOU acessar a reportagem Candidato de Manaus conta com o hospital da família, a Covid-19 e o Judiciário para subir nas pesquisas” no site Intecept Brasil e não conseguiu, o motivo é simples: a Justiça do Amazonas censurou o conteúdo publicado em 13 de novembro.

A publicação contava como o candidato agora derrotado à prefeitura da capital Ricardo Nicolau, (PSD), aproveitou o acesso privilegiado que tinha ao interior do hospital municipal de campanha de Manaus para gravar imagens vestido de branco e visitando leitos de pacientes como se fosse um médico – ele não é.

O material foi usado em sua campanha eleitoral para colar a imagem de Nicolau a do hospital, construído em quatro dias. A propaganda também tentava criar a narrativa de que o candidato (que ficou em 4º lugar, com 12% dos votos) foi responsável pelo tratamento de centenas de pacientes com Covid-19.

Para isso, Nicolau usava o livre acesso que tinha ao hospital de campanha da capital, já que ele era parte do grupo Samel, rede de hospitais privados da sua família. A Samel administrou a unidade por uma parceria público-privada com a prefeitura de Manaus.

A reportagem também mostrava que parte das ações judiciais movidas pelos adversários de Nicolau caíram no gabinete da juíza eleitoral Margareth Rose Cruz Hoaegen. Ela decidiu em favor do candidato em dois processos que questionavam o uso do nome do grupo Samel e das imagens filmadas dentro do hospital municipal de campanha.

Para os adversários, aquilo se tratava de abuso do poder econômico ou propaganda ilegal, mas a magistrada discordou. A juiza Hoaegen, que julgou em seu favor nas decisões, como mostramos na reportagem censurada, é grande amiga de Jeanne Nicolau, cunhada do candidato. A juíza também esteve no aniversário de Jean Cleuter, advogado de Ricardo Nicolau.

Nossa reportagem incomodou o candidato Nicolau. Ele não queria apenas a exclusão da matéria, mas que a Justiça Eleitoral retirasse todo o Intercept do ar. Nicolau entrou com quatro representações praticamente iguais contra a publicação no Tribunal Regional Eleitoral no sábado, 14. Nicolau é um homem de sorte: uma delas caiu nas mãos do juiz Alexandre Henrique Novaes de Araújo, que, assim como a juíza Hoaegen, também tem relações próximas com o grupo Samel e com a família Nicolau.

Araújo manteve o site no ar, mas determinou a censura do texto alegando que “a publicação imputa fatos sabidamente inverídicos” sem discriminar que fatos são esses. Até agora, não sabemos o que, na reportagem, era “sabidamente inverídico”.Sentença4 pages

Jornalismo

Em uma decisão que determinou a retirada da reportagem do Intercept do ar, o juiz Araújo afirma ainda que o texto fez uma “propaganda negativa e depreciativa da imagem de Nicolau”, como se o objetivo do jornalismo fosse o de fazer algum tipo de propaganda elogiosa.

O candidato reclamou que promovemos “racismo intelectual” (sério) ao informar que ele não tem ensino superior completo. Mas o que mostramos foram informações oficiais do site do TSE, advertindo que ele não tem formação em medicina, o contrário do que dava a entender em sua campanha eleitoral.

Leia a matéria completa no Intecept Brasil

CNJ acionado

REVISTA CENARIUM oficializa uma reclamação à Ouvidoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra as decisões judiciais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) em que mandam excluir matérias respaldas com documentos e imagens da versão on-line da revista, sem ouvir os jornalistas, em pedidos de liminares do candidato a prefeito de Manaus, David Almeida (Avante). A revista está recorrendo de todas as decisões.

No dia 15 de novembro, primeiro turno das eleições municipais, o  juiz da 2ª. Zona Eleitoral Moacir Pereira Batista mandou excluir, de uma só vez, diversas matérias da REVISTA CENARIUM em que David foi citado, entre elas a que ele mora em um condomínio de luxo, imóvel que foi informado pelo próprio candidato ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Leia mais aqui

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie. Leia as perguntas mais frequentes para saber o que é impróprio ou ilegal.